O sistema de monitoramento com inteligência artificial da Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp), o Olho Vivo, auxiliou as polícias Civil e Militar a solucionarem 1.885 ocorrências criminais em todo o estado em apenas oito meses de funcionamento. Os dados do balanço oficial foram divulgados nesta segunda-feira (31) pelo secretário da Segurança Pública, coronel Hudson Leôncio Teixeira.
Desde o início das operações, em dezembro de 2025, a tecnologia contribuiu diretamente para 1.300 prisões e para a recuperação de 557 veículos com alerta de furto ou roubo. A plataforma integra 972 câmeras conectadas à inteligência artificial, capazes de realizar a leitura automática de placas, identificar cores, modelos e avarias nos automóveis em tempo real. As informações são cruzadas instantaneamente com bancos de dados de mandados de prisão em aberto e alertas policiais. Ao encontrar uma correspondência suspeita, o sistema emite um alerta com localização imediata para a viatura mais próxima realizar a abordagem.
O secretário Hudson Leôncio Teixeira explicou que a inteligência artificial tem sido empregada como inteligência assistida, uma vez que ela não substitui o ser humano, nem tampouco o policial, sendo “o raciocínio humano aquele que prevalece”. “O que antes levaria dias, meses, às vezes, para ter informações, hoje, em questão de minutos, as forças de segurança conseguem avançar”, destacou. O recurso permite ainda buscas semânticas, possibilitando que os agentes encontrem suspeitos por meio de descrições detalhadas registradas em boletins de ocorrência, como características de mochilas, capacetes e vestimentas.
A eficiência da ferramenta gerou resultados em diversas cidades paranaenses. No litoral, em Matinhos, o rastreamento identificou um carro usado em roubos de cargas de cigarros em Pontal do Paraná, culminando na prisão do motorista. Em Maringá, a IA identificou a moto e a mochila de um suspeito de furtos, auxiliando a PM no flagrante durante o patrulhamento preventivo. Em Umuarama, o sistema acompanhou um veículo por mais de 120 km a partir de Guaíra, permitindo o cerco tático que apreendeu 269 quilos de maconha. Em Foz do Iguaçu, a tecnologia flagrou um carro utilizado por uma quadrilha especializada em furto de caminhonetes, levando à captura de um foragido da Justiça.
Atualmente presente em cidades como Curitiba, Matinhos, Guaíra, Foz do Iguaçu e Maringá, o programa deve expandir sua atuação para 1,5 mil câmeras nos próximos meses, além de incorporar novas ferramentas de reconhecimento facial para ampliar a cobertura em todas as cidades do estado.







