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Tabagismo está presente em mais de 85% dos casos de câncer de pulmão atendidos em Curitiba

Mais de 85% dos pacientes diagnosticados com câncer de pulmão em Curitiba fazem ou fizeram uso de produtos derivados do tabaco, como o cigarro. Os dados são do Registro Hospitalar de Câncer (RHC) do Hospital Erasto Gaertner. O levantamento, referente ao período entre 2019 e 2023, aponta que 57,6% dos pacientes acometidos pela doença eram fumantes ativos, enquanto 27,4% eram ex-fumantes. Em 2023, o índice total relacionado ao tabagismo chegou a quase 90%, um aumento significativo.

Os números preocupam ainda mais por colocarem Curitiba como a capital brasileira com o maior percentual de fumantes. Segundo o Ministério da Saúde, um em cada cinco moradores da cidade consome produtos derivados do tabaco, que são os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de pulmão. O consumo de dispositivos como narguilé e cigarros eletrônicos também surge como agravante. “O cenário exige atenção redobrada, especialmente com o crescimento do uso dessas alternativas, comprovadamente muito piores que o cigarro convencional”, alerta Laurindo Moacir Sassi, cirurgião-chefe do Serviço de Cirurgia Bucomaxilofacial do Hospital Erasto Gaertner.

O câncer de pulmão está entre as neoplasias mais letais do Brasil, responsável por cerca de 30 mil mortes anuais. Um dos desafios do tratamento é o diagnóstico precoce, pois a doença é geralmente silenciosa nos estágios iniciais. Entre 2019 e 2023, o Hospital Erasto Gaertner registrou 317 pacientes diagnosticados com a doença, totalizando 335 tumores acompanhados. Cerca de 57,9% desses diagnósticos foram realizados em estágio IV, considerado avançado, e outros 20% foram identificados no estágio III. Apenas em 2023, mais de 60% dos pacientes chegaram à instituição em fase metastática.

Entre os principais sintomas da doença estão tosse persistente, rouquidão, falta de ar, dor no peito, perda de peso inexplicável e, em alguns casos, sangue no escarro. A prevenção segue como a forma mais eficiente de combate à enfermidade, com destaque para a necessidade de evitar o tabagismo. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil registra anualmente mais de 32,5 mil novos casos de câncer de traqueia, brônquios e pulmão.

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