A ABCR (Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias) estima que o número de pórticos de pedágio automático sem cancela deve dobrar no Brasil, saltando de 93 para 186 até o fim de 2027. A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) confirma o número atual de pórticos em operação.
Os primeiros três pórticos de pedágio eletrônico foram instalados em março de 2023, na rodovia Rio-Santos, mais precisamente nos municípios de Itaguaí, Mangaratiba e Paraty, no Rio de Janeiro. Atualmente, o Ministério dos Transportes aponta que 15 rodovias no país já utilizam o modelo conhecido como free flow. Em São Paulo, 15 pórticos de cobrança automática estão em operação sob concessão estadual, segundo a Artesp (agência reguladora de transportes do estado).
Dados da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) revelam que essas estruturas registraram 200 milhões de passagens desde que foram implementadas. Além dessas estruturas, São Paulo também possui sete pórticos em estradas estaduais, que inicialmente foram projetados para funcionar como pedágios, mas tiveram a função alterada após o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) recuar na instalação de novos pontos de cobrança no ano passado, devido a críticas públicas.
No sistema free flow, também chamado de Siga Fácil em São Paulo, os motoristas não precisam parar para pagar a tarifa. Em vez de cancelas, os pórticos utilizam câmeras que identificam as placas dos veículos em movimento ou detectam o sinal das tags instaladas no para-brisa dos carros, como as utilizadas em pedágios tradicionais. Para os veículos com tags válidas, a cobrança é automática e realizada pela operadora contratada. Motoristas que não possuem o dispositivo têm até 30 dias para efetuar o pagamento.
Marco Aurélio Barcelos, presidente da ABCR, ressalta que o setor busca substituir as praças de pedágio tradicionais pelo modelo eletrônico. “É uma tendência natural. Creio que, no intervalo de um ou dois anos, o que hoje é novidade vai se tornar cotidiano”, afirma. Ele prevê que, em até cinco anos, todas as praças de pedágio convencionais serão convertidas para o modelo free flow.
No caso do grupo Motiva, responsável por rodovias importantes como a via Dutra e os sistemas Anhanguera-Bandeirantes e Castelo-Raposo, espera-se que a substituição total das praças tradicionais ocorra ainda mais rápido, conforme afirma Jorge Manuel Gonçalves Pereira, gerente executivo de estratégia de operação. O ministro dos Transportes, George Andre Palermo Santoro, corroborou dizendo que pedágios tradicionais não deverão mais ser instalados no país.
Apesar do avanço, a Artesp, sem mencionar números, diz que ainda realiza estudos para expandir a instalação de pórticos eletrônicos e converter as praças tradicionais no estado de São Paulo. No entanto, Marco Aurélio Barcelos destaca que o processo enfrenta entraves, como a necessidade de autorização das agências reguladoras estaduais. “Há toda uma burocracia para se identificar onde será instalado o pedágio eletrônico”, explica.
Outro desafio apontado para o progresso do sistema é lidar com o aumento da inadimplência. As concessionárias, que atualmente operam com inadimplência reduzida nos modelos tradicionais, precisam se adaptar ao risco mais elevado no free flow. “Quando você cria uma praça, um pórtico de free flow, você tende a aumentar essa inadimplência. Então vai depender do apetite da concessionária, que hoje trabalha com um patamar muito reduzido de inadimplência, de trazer isso para o nível do contrato”, afirma o presidente da ABCR.
Segundo a associação, entre 7% e 8% dos motoristas que utilizam os pórticos no Brasil não pagam a tarifa, um índice similar ao observado em países como Portugal e China. “Diria que temos 93% de adesão [ao novo sistema]”, reforça Barcelos, que acredita que a inadimplência irá diminuir com a adoção do free flow na CNH do Brasil, a carteira de habilitação digital. Ele conclui: “Vamos ver qual será o comportamento e como esse número vai mudar a partir da CNH do Brasil. Porque, se havia usuário que deixava de pagar por falta de conhecimento, agora esse problema deixou de existir.”







