Tunas do Paraná viveu uma noite histórica para a cultura local nessa quinta-feira (18), com a inauguração do Museu Satélite do Museu da Imagem e do Som do Paraná (MIS-PR). O município se tornou o primeiro do Estado a receber uma unidade do MIS fora da capital, Curitiba, passando a integrar o programa Museus Satélites, iniciativa que busca descentralizar o acesso aos acervos dos museus estaduais e aproximar a população do patrimônio histórico, artístico e audiovisual paranaense.
Realizado na Casa da Cultura Adolfo Conrado Ribas, o evento teve a presença de grande público, entre moradores, artistas, representantes de entidades culturais, secretários municipais e autoridades estaduais. A cerimônia também contou com a presença da secretária de Estado da Cultura, Luciana Casagrande Pereira, do prefeito Marco Baldão, do vice-prefeito, todos os vereadores e integrantes da equipe técnica responsável pela implantação do projeto.
Orquestra Cordas do Iguaçu se apresentou na abertura
A abertura da programação ficou por conta da Orquestra Cordas do Iguaçu, que emocionou o público e recebeu calorosos aplausos, em um dos momentos mais marcantes da cerimônia. A apresentação evidenciou a força da produção cultural de Tunas do Paraná e o papel que o município vem desempenhando na formação artística de crianças e jovens da região.
Criado em 2011 pelo maestro José Maria Magalhães, o projeto nasceu em Tunas do Paraná com a proposta de utilizar a música como ferramenta de inclusão social, educação e transformação de vidas. Atualmente, a iniciativa atende mais de 900 crianças e adolescentes em diversos municípios paranaenses, tornando-se referência na promoção da cultura e do desenvolvimento humano por meio da arte.
Durante a inauguração do projeto, a orquestra apresentou um repertório diversificado e repleto de clássicos que encantaram os presentes. Entre as obras executadas estiveram “Por Una Cabeza”, do compositor argentino Carlos Gardel; “What a Wonderful World”, eternizada na voz de Louis Armstrong; “Over the Rainbow”, tema do clássico filme “O Mágico de Oz”; e “Pompa e Circunstância”, do compositor britânico Edward Elgar.
A excelência musical apresentada pela Orquestra Cordas do Iguaçu, aliada à dedicação dos jovens músicos e à emoção transmitida ao público, recebeu reconhecimento das autoridades e da comunidade presente. A secretária de Estado da Cultura, Luciana Casagrande Pereira, elogiou o trabalho desenvolvido pelo projeto e destacou seu papel na democratização do acesso à cultura, na formação de novos talentos e na promoção da inclusão social por meio da arte.
Escolha de Tunas levou em conta potencial cultural e participação da comunidade
Durante a solenidade, a secretária de Estado da Cultura, Luciana Casagrande Pereira, afirmou que a instalação do Museu Satélite em Tunas do Paraná representa um avanço na política de descentralização cultural do Estado. Segundo ela, a escolha do município foi resultado de uma série de fatores, entre eles o interesse demonstrado pela administração municipal, a estrutura disponível para receber o projeto e o forte vínculo da população com a cultura.
A secretária pontuou ainda que o município chamou a atenção da equipe da pasta pelo sentimento de pertencimento demonstrado pelos moradores. “Eu nunca estive em um município onde visse uma população com tanto orgulho de sua terra. Achávamos que estávamos vindo aqui para ajudar a fortalecer esse pertencimento, mas acabamos aprendendo como isso é construído”, afirmou.
Luciana também revelou que o programa Museus Satélites busca aproximar os equipamentos culturais estaduais das comunidades do interior. “Todo esse acervo pertence à população paranaense. Não faz sentido que ele permaneça acessível apenas a quem está na capital. A ideia é que ele circule e chegue cada vez mais perto das pessoas”, disse.
Município vê projeto como oportunidade de fortalecimento cultural
O prefeito Marco Baldão classificou a inauguração como um momento histórico para Tunas do Paraná. Em seu discurso, ele afirmou que, apesar dos desafios enfrentados pelo município em áreas essenciais, a cultura nunca deixou de ser uma pauta importante para a administração. “Somos uma cidade que ainda enfrenta muitas necessidades, mas nunca deixamos de acreditar na cultura. Temos projetos ambiciosos para Tunas do Paraná e queremos valorizar cada vez mais a nossa história e a nossa identidade”, afirmou.
O prefeito também incentivou a população a acreditar no potencial do município e defendeu a união entre poder público e comunidade para aproveitar as oportunidades que surgem por meio de programas estaduais. “Precisamos acreditar na nossa cidade. Tunas é um município onde é possível fazer as coisas acontecerem. Sonhar é importante, mas é preciso trabalhar para transformar os sonhos em realidade”, declarou.
Para Baldão, a chegada do Museu Satélite marca não apenas a instalação de um novo equipamento cultural, mas também uma oportunidade de ampliar o acesso da população à história, à arte e à memória paranaense.
Exposição reúne equipamentos que marcaram a história da imagem e do som
A primeira mostra instalada no espaço é a exposição “Objetos da Memória: Tecnologias do Olhar e do Ouvir”, composta por itens do acervo do Museu da Imagem e do Som do Paraná.
A exposição apresenta equipamentos utilizados ao longo do século XX para registro e reprodução de imagens e sons, permitindo ao visitante conhecer a evolução tecnológica que transformou a forma como a sociedade se comunica, produz cultura e preserva memórias.
Máquinas fotográficas, equipamentos de gravação, aparelhos de reprodução sonora e outros objetos históricos integram a mostra, que busca despertar reflexões sobre a importância dessas tecnologias na construção da memória coletiva e da identidade cultural do Estado.
Fundado em 1969, o MIS-PR é o segundo Museu da Imagem e do Som mais antigo do Brasil e possui um acervo superior a três milhões de itens, incluindo fotografias, filmes, documentos, equipamentos e registros audiovisuais que retratam diferentes períodos da história paranaense.
Integração regional e valorização da identidade
Além de aproximar a população dos acervos estaduais, o Museu Satélite também passa a funcionar como um espaço de encontro, aprendizado e valorização da identidade regional.
A expectativa é que escolas, grupos culturais, pesquisadores e moradores utilizem o local para atividades educativas e de formação, fortalecendo o vínculo da comunidade com a história e a cultura paranaense.
Além de Tunas, que passa a integrar uma rede que, nos próximos meses o projeto também será ampliado para cidades como Guarapuava, Londrina, Pato Branco, Maringá, Cascavel, Paranaguá e Ponta Grossa.









