Município amplia acompanhamento de rios, chuvas e áreas de atenção para reduzir riscos e melhorar a resposta em períodos de temporais
A possibilidade de atuação do fenômeno El Niño ao longo do segundo semestre de 2026 tem levado os órgãos de monitoramento meteorológico a indicar maior probabilidade de chuvas acima da média e aumento da ocorrência de eventos climáticos extremos na Região Sul do Brasil. Diante desse cenário, a Prefeitura de Campina Grande do Sul, por meio da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (COMPDEC), intensificou as ações preventivas, o monitoramento meteorológico e o planejamento das equipes para reduzir riscos e ampliar a capacidade de resposta diante de possíveis ocorrências.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, provocando alterações na circulação atmosférica e influenciando os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta. No Paraná, os modelos de previsão indicam possibilidade de períodos com chuvas acima da média, além de condições favoráveis para ocorrência de temporais, com chuva intensa em curto intervalo de tempo, descargas elétricas, rajadas de vento e, eventualmente, queda de granizo.
O período entre a primavera e o verão de 2026/2027 exige atenção especial dos municípios, historicamente marcado por maior ocorrência de chuvas volumosas e eventos meteorológicos severos.
Monitoramento permanente das áreas de atenção
Em Campina Grande do Sul, a Defesa Civil mantém acompanhamento contínuo das áreas que apresentam histórico de ocorrências relacionadas a alagamentos, inundações, enxurradas e movimentos de massa.
Entre os principais pontos monitorados estão as margens dos rios Capivari e Terra Boa, o bairro Ribeirão Grande e outras localidades do município com características que podem favorecer impactos durante períodos de chuva intensa, especialmente regiões próximas a cursos d’água e áreas com maior declividade.
Segundo o Diretor de Operações da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (COMPDEC), Diego Rogério Bandeira, o trabalho preventivo é realizado por meio da integração entre o conhecimento das áreas historicamente vulneráveis, o acompanhamento das condições meteorológicas e os dados obtidos pelos sistemas de monitoramento.
“Monitoramos permanentemente as áreas com histórico de enxurradas, inundações e deslizamentos. O acompanhamento das previsões meteorológicas, dos níveis dos rios e dos volumes de chuva permite que a Defesa Civil avalie possíveis riscos e adote medidas preventivas. Além disso, a Prefeitura vem realizando diversas ações estruturais e operacionais para minimizar os impactos dos eventos climáticos”, destaca.
Monitoramento em tempo real auxilia na tomada de decisões
Um dos principais instrumentos utilizados pela Defesa Civil municipal é o acompanhamento dos radares meteorológicos, previsões do tempo e dados das estações de monitoramento instaladas no município.
Campina Grande do Sul conta atualmente com sete estações de monitoramento, sendo quatro estações hidrológicas e três pluviômetros automáticos, que permitem acompanhar o comportamento dos rios e os volumes de chuva registrados em diferentes regiões.
As informações são atualizadas de forma online, em intervalos de poucos minutos, permitindo que a equipe acompanhe praticamente em tempo real a evolução das condições meteorológicas e hidrológicas.

O acompanhamento dos radares meteorológicos permite identificar a concentração de áreas de chuva intensa mesmo quando a precipitação ainda não atingiu todas as regiões do município.
Em uma ocorrência recente registrada no bairro Ribeirão Grande, por exemplo, o radar meteorológico indicou concentração de chuva intensa naquela região. Os dados da estação de monitoramento mais próxima apontaram acumulado aproximado de 80 milímetros de chuva em cerca de seis horas, volume capaz de provocar elevação rápida dos cursos d’água e aumentar o risco de enxurradas.
A partir dessas informações, associadas ao histórico de ocorrências, a Defesa Civil consegue avaliar a possibilidade de impactos e emitir alertas preventivos para as áreas que possam ser afetadas.
O monitoramento também permite acompanhar o comportamento dos principais rios do município. No caso do Rio Capivari, os dados históricos e atuais auxiliam na identificação de tendências de elevação do nível da água que possam representar risco de transbordamento e comprometimento de vias próximas às margens.
No bairro Terra Boa, por exemplo, a característica do terreno e a presença de cursos d’água fazem com que grandes volumes de chuva concentrados em curto período possam provocar elevação rápida do nível da água.

Além do acompanhamento dos eventos em tempo real, a Defesa Civil também monitora os acumulados de chuva ao longo dos meses. Em julho de 2026, os registros apontaram aproximadamente 93 milímetros de precipitação, volume superior à média histórica estimada para o período, de cerca de 60 milímetros.
Prevenção acontece durante todo o ano
As ações preventivas da Prefeitura não começaram apenas diante da previsão de influência do El Niño. O município mantém, durante todo o ano, um planejamento de manutenção e melhoria das estruturas que contribuem para reduzir os impactos provocados pelas chuvas.
Entre as ações realizadas estão a limpeza e manutenção de rios e córregos, melhorias nos sistemas de drenagem, desobstrução de galerias pluviais e intervenções em pontos considerados mais suscetíveis a alagamentos.
Essas medidas contribuem para reduzir os impactos das chuvas, embora eventos extremos possam superar a capacidade natural ou estrutural de determinados locais.

Entre as medidas estão a limpeza de rios e galerias, manutenção de estruturas de drenagem e intervenções em pontos considerados mais suscetíveis a alagamentos e outros transtornos. Com a possibilidade de intensificação das chuvas nos próximos meses, algumas ações também foram reforçadas para garantir que as estruturas estejam preparadas para o período de primavera e verão, quando historicamente há maior volume de precipitação e aumento da possibilidade de temporais.

A atuação preventiva também envolve o planejamento das equipes municipais e a integração entre diferentes secretarias. A Defesa Civil não atua de forma isolada: em uma situação de emergência, setores como Assistência Social, Saúde, Infraestrutura e Obras podem ser mobilizados de acordo com a necessidade.
Em caso de inundação ou alagamento com necessidade de retirada de moradores, por exemplo, a Defesa Civil atua na resposta à ocorrência e na retirada das famílias das áreas de risco, enquanto a Assistência Social auxilia na estruturação e atendimento dos abrigos. A área da Saúde também pode ser acionada para prestar assistência às pessoas afetadas, enquanto as equipes de infraestrutura e obras dão suporte às ações necessárias.
A estrutura municipal também pode contar com o apoio da Defesa Civil Estadual e, dependendo da gravidade da ocorrência, com recursos estaduais e federais destinados a situações de emergência ou calamidade pública seguindo os protocolos do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (SINPDEC) .
Histórico ajuda a identificar áreas de atenção
O município possui pontos que exigem acompanhamento especial durante períodos de chuvas intensas. Entre eles estão regiões próximas às margens dos rios Capivari, Terra Boa e o bairro Ribeirão Grande.

Em áreas de encosta, principalmente nas regiões próximas à Serra do Mar, a preocupação também envolve a possibilidade de deslizamentos de terra. Apesar de o município não registrar, segundo a Defesa Civil, ocorrências graves com vítimas relacionadas a esse tipo de evento, pequenos deslizamentos podem ocorrer principalmente durante os períodos de maior volume de chuva.
O histórico de cada região é utilizado pela Defesa Civil como uma das ferramentas para antecipar possíveis ocorrências. A partir dos níveis dos rios, do volume de chuva registrado e das previsões meteorológicas, a equipe consegue avaliar com maior precisão quais locais podem apresentar risco e quais medidas precisam ser adotadas.
Ocorrências já mobilizaram equipes neste ano
As chuvas registradas ao longo de 2026 já exigiram a atuação da Defesa Civil em diferentes situações. Segundo o coordenadora Carla Aparecida Aparecida Habinoski, foram registrados atendimentos relacionados às condições climáticas em pelo menos três momentos ao longo do ano, incluindo ocorrências durante o Carnaval e a mais recentemente, na região da Canelinha, onde quatro moradores foram afetados com destelhamento de casas. O município também registrou quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia provocadas pelas condições climáticas.
O acompanhamento preventivo busca justamente reduzir os impactos desses eventos e permitir que as equipes tenham condições de agir rapidamente quando uma ocorrência é identificada.
Orientações de segurança
Evite áreas alagadas: durante chuvas intensas, não trafegue por ruas alagadas ou locais com correnteza, seja a pé ou de veículo. A força da água pode representar riscos que não são perceptíveis.
Tenha cuidado com raios: durante tempestades, procure abrigo em uma edificação segura e evite permanecer em áreas abertas, próximas a árvores, postes ou estruturas metálicas. Também mantenha distância de rios, córregos e locais sujeitos a transbordamentos.
Proteja-se dos ventos fortes: permaneça em local seguro e mantenha distância de janelas. Evite estacionar veículos próximos a árvores, postes e estruturas que possam cair.
Não se aproxime de fios caídos: em caso de queda de árvores ou da rede elétrica, não toque nos fios nem se aproxime do local. A ocorrência deve ser comunicada aos órgãos responsáveis.
Observe sinais de movimentação do solo: moradores de áreas de encosta devem ficar atentos a rachaduras em paredes e terrenos, inclinação de árvores, postes ou muros e surgimento de água em locais incomuns. Ao perceber sinais de risco, deixe o local e procure um ponto seguro.
Mantenha a drenagem limpa: a população também pode contribuir com a prevenção mantendo calhas e sistemas de drenagem das residências limpos e desobstruídos. O descarte de lixo em ruas, rios, galerias e bueiros deve ser evitado.
Acompanhe os alertas oficiais: moradores devem acompanhar as previsões meteorológicas e os comunicados dos órgãos oficiais, principalmente durante períodos de chuva intensa e temporais.
Fique atento em áreas próximas a rios: quem mora próximo a rios e córregos deve observar o aumento do nível da água e seguir as orientações das autoridades. Em caso de alerta para deixar a residência, a recomendação é seguir imediatamente as orientações e buscar um local seguro.
Como receber os alertas da Defesa Civil
A população pode receber alertas sobre chuvas intensas, temporais e outros eventos meteorológicos diretamente no celular.
Para receber os alertas por SMS, basta enviar o CEP para o número 40199. Em caso de emergência, a população pode acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.

Também é possível receber avisos pelo WhatsApp. Para isso, é necessário salvar o número (61) 2034-4611, enviar a mensagem “Oi” e seguir as orientações apresentadas pelo sistema.








