A Delegacia de Polícia Civil de Campina Grande do Sul inaugurou na terça-feira (18), a Sala Lilás, espaço dedicado exclusivamente ao acolhimento e atendimento de mulheres vítimas de violência. A cerimônia reuniu autoridades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de representantes das forças de segurança e da rede de proteção. A inauguração contempla uma das ações do Agosto Lilás, campanha de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher, reforçando a importância de ampliar a proteção e o acolhimento às vítimas.
Responsável pela unidade, o delegado Donizete de Arruda Gordiano enfatizou que a implantação do espaço foi resultado do trabalho conjunto entre órgãos públicos e iniciativa privada. Ele também reconheceu que o projeto teve início durante a gestão do então delegado Glaison Lima Rodrigues, que antecedeu Donizete no comando da unidade e esteve presente na inauguração.
“Tudo isso foi um projeto que nasceu lá na iniciativa do nosso colega”, afirmou Donizete, destacando que Glaison “não mediu esforço, correu atrás, fez reunião” para viabilizar a iniciativa.
Um espaço pensado para acolher
A Sala Lilás oferece mais privacidade, segurança e acolhimento às vítimas. O espaço conta com brinquedoteca e profissionais capacitados para atender mulheres em situação de vulnerabilidade.
Para Emanueli Siqueira, diretora-adjunta do Departamento de Polícia Civil da Região Metropolitana, o ambiente pode dar mais segurança às vítimas no momento da denúncia. “A implantação desse espaço reforça a preocupação da Polícia Civil com o atendimento humanizado às mulheres e crianças vítimas de violência. O acolhimento adequado faz com que a vítima se sinta mais segura para buscar ajuda, registrar a ocorrência e acessar os serviços da rede de proteção.”
O delegado Donizete destacou que a iniciativa envolveu Prefeitura, Polícia Militar, Guarda Civil, Judiciário, Ministério Público, Câmara Municipal, rede de apoio e iniciativa privada. Representantes do Judiciário também ressaltaram a importância do espaço.
Projeto teve continuidade

Glaison Lima Rodrigues relembrou que a Sala Lilás começou a ser planejada durante sua passagem pela unidade. Ele acompanhou as primeiras tratativas e buscou parcerias para viabilizar o projeto. “Eu saí daqui pendente de uma inauguração, mas a Polícia não é minha, a Polícia é uma instituição.”
Antes da reforma, o local era uma garagem com churrasqueira e uma construção antiga. A intervenção transformou o espaço em um ambiente destinado ao atendimento das vítimas.
Rede de proteção
Segundo Donizete, a Sala Lilás reforça o trabalho já desenvolvido pela rede de proteção do município, que inclui CRAS, CREAS, Secretaria Municipal da Mulher e Igualdade Racial, Guarda Municipal e Patrulha Maria da Penha.
A secretária municipal da Mulher e Igualdade Racial, Nelise Dalprá, também destacou o caráter acolhedor do espaço. “A Sala Lilás oferece um espaço seguro, reservado e acolhedor para mulheres vítimas de violência. O atendimento humanizado, com privacidade e orientação, fortalece a rede de proteção.”
Atendimento vai além da estrutura
Donizete ressaltou que a Sala Lilás é apenas parte do trabalho e que o acolhimento precisa estar acompanhado de investigações rápidas e qualificadas. “O nosso compromisso é fazer esse pacote completo e entregar na mão da Promotoria de Justiça.”
O delegado também destacou a importância de evitar a revitimização, reunindo o máximo de informações já no primeiro atendimento. Segundo ele, os casos de violência doméstica levam, em média, duas a três semanas na delegacia, podendo demorar mais quando exigem diligências complexas.

Atendimento humanizado
Além da estrutura física, a Sala Lilás conta com profissionais preparados para acolher as vítimas, incluindo acompanhamento psicológico quando necessário. Para uma das profissionais que atua no espaço, Kleylla Nunes, o atendimento exige não apenas preparo técnico, mas também empatia.
Por ser mulher, ela afirma que consegue compreender de forma ainda mais próxima algumas das situações enfrentadas pelas vítimas. “Da mesma forma que, se a gente estivesse no lugar delas, gostaria de ser atendida”, destacou, reforçando a importância de oferecer um atendimento acolhedor e respeitoso.
Busque ajuda
Em casos de violência, a população pode procurar a Delegacia de Polícia Civil, a Guarda Municipal pelo 153, o Disque-Denúncia pelo 181 e a Central de Atendimento à Mulher pelo 180.
A inauguração amplia a estrutura de atendimento e fortalece a atuação conjunta dos órgãos de proteção às mulheres e demais pessoas em situação de vulnerabilidade.







