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Pimentel cobra da ANTT inclusão de contornos ferroviários na concessão da Malha Sul

O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, defendeu a inclusão dos projetos executivos e das obras dos contornos ferroviários Leste e Oeste da capital no edital da nova concessão ferroviária da Malha Sul. A manifestação ocorreu durante audiência pública promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), na segunda-feira (27), em Curitiba.

O encontro, realizado no Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), contou a participação de cerca de 200 pessoas, entre representantes do poder público, setor produtivo, lideranças políticas e integrantes da sociedade civil.

“Como brasileiro, sou a favor do transporte ferroviário de cargas. Ele é fundamental para escoar as riquezas do nosso país. Como paranaense, me solidarizo com as demandas do setor produtivo, que reivindica o novo ramal da Serra da Esperança, ligando Guarapuava à Lapa, além da ampliação dos pátios de manobra. Mas, como curitibano e prefeito da minha cidade, peço, em nome dos cidadãos de Curitiba, que a nova concessão inclua o projeto executivo e a execução das obras dos contornos ferroviários Oeste e Leste”, afirmou Pimentel.

Segundo o prefeito, a circulação de trens de carga pelo perímetro urbano provoca impactos na mobilidade e na qualidade de vida da população. Atualmente, a ferrovia atravessa 21 bairros e possui 51 passagens de nível. A proposta dos contornos prevê a retirada de mais de 40 quilômetros de trilhos destinados ao transporte de cargas da área urbana.

“Hoje, a ferrovia corta a Região Norte da cidade, passando pela Anita Garibaldi e Bacacheri, e também a Região Leste, atingindo áreas como Cajuru e Sítio Cercado, no trajeto em direção ao Porto de Paranaguá. Essa realidade provoca impactos profundos na mobilidade urbana e na qualidade de vida da população. Qual é o nosso pedido? Curitiba é o último grande centro urbano do país onde a ferrovia de cargas ainda interfere de forma tão intensa na dinâmica da cidade. Por isso, registramos o maior número de acidentes ferroviários, inclusive acidentes fatais”, disse.

Pimentel também afirmou que o município já trabalha em estudos para definir possíveis usos das áreas que seriam liberadas com a retirada da ferrovia de cargas.

“Em Curitiba, por meio do Ippuc, já temos um pré-projeto que aponta as possibilidades de uso dessas áreas caso a ferrovia de cargas seja retirada do perímetro urbano. Uma delas é a implantação de um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) para o transporte de passageiros, o que faz muito sentido por se tratar de regiões altamente urbanizadas. Também podemos transformar parte desse traçado em parques lineares, vias binárias, ciclovias e projetos habitacionais, especialmente no ramal Leste, que atravessa áreas de grande densidade populacional”, afirmou.

O prefeito avaliou positivamente a audiência e disse que pretende acompanhar o andamento das discussões. “O encontro foi muito positivo e bastante prestigiado, com a presença de deputados, senadores, prefeitos do Paraná, representantes da sociedade civil e do setor produtivo. Saio animado e otimista. Agora, vamos acompanhar os próximos passos desse processo e seguir trabalhando até que essa solução se concretize.”

Além dos contornos ferroviários, representantes do setor produtivo paranaense defenderam durante a audiência a ampliação dos pátios de manobra, a implantação de um novo traçado no trecho da Serra da Esperança, entre Guarapuava e Lapa, e a priorização de investimentos no Paraná dentro da nova concessão.

A audiência pública da ANTT tem como objetivo apresentar e receber contribuições para as minutas do edital e do contrato de concessão do transporte ferroviário de cargas nos corredores Paraná-Santa Catarina, Rio Grande e Mercosul.

Acidentes ferroviários

Dados apresentados pela ANTT apontam que Curitiba registrou 433 ocorrências na ferrovia operada pela concessionária Rumo Malha Sul entre 2005 e 2025. No período de 2021 a 2024, foram contabilizados 152 acidentes, com mais de 60 pessoas feridas e 27 mortes.

Segundo a Prefeitura, a retirada dos trilhos da área urbana poderia contribuir para reduzir conflitos entre trens, transporte coletivo e cruzamentos em nível, além de possibilitar a criação de novas conexões viárias, corredores de transporte, parques lineares, ciclovias, áreas verdes, projetos habitacionais e equipamentos públicos.

O prazo para envio de sugestões ao processo de concessão termina em 10 de agosto. A ANTT também prevê audiências presenciais em Porto Alegre (RS), no dia 29 de julho, e em Florianópolis (SC), no dia 31.

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