CAMPINA GRANDE DO SUL - PREFEITURA
WhatsApp
Facebook
Morte de esteticista após hidrolipo alerta para riscos de cirurgias fora de hospital, aponta Cremesp

Depois da morte da esteticista Paloma Lopes Alves, 31 anos, na última terça-feira (26) após passar por uma hidrolipo, a Câmara Técnica de Cirurgia Plástica do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) manifestou preocupação quanto à realização desses procedimentos em ambiente clínico e não em hospitais, com todos os recursos adequados. Durante a cirurgia realizada pelo médico Josias Caetano dos Santos, no Mana Hospital Day, Paloma sofreu uma parada cardiorrespiratória e ficou inconsciente. Ela foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levada ao Hospital Municipal do Tatuapé, mas já chegou sem vida.

De acordo com o Cremesp, a lipoaspiração, embora amplamente reconhecida como um procedimento seguro quando conduzida de forma adequada, exige preparo técnico, infraestrutura adequada e cumprimento rigoroso das normas de segurança e ética médica. Entre os requisitos essenciais está a realização em ambiente com estrutura hospitalar, autorizado pelos órgãos de vigilância sanitária, e o suporte avançado de vida necessário para manejar possíveis complicações. O cirurgião responsável deve ser habilitado especificamente para cirurgia plástica, com Registro de Qualificação de Especialista no Conselho Regional de Medicina. Além disso, a equipe médica deve estar devidamente preparada e equipada para responder a emergências.

O Cremesp também destaca que a cirurgia deve seguir padrões éticos e técnicos, incluindo avaliação criteriosa do estado de saúde do paciente e explicação clara dos riscos envolvidos. “Reforçamos que a banalização de qualquer procedimento cirúrgico, por menor que ele possa parecer, é inaceitável. A decisão de realizar uma cirurgia plástica se inicia na escolha do profissional e deve ser feita de forma consciente e sólida. Cirurgias plásticas, como a lipoaspiração, não são isentas de riscos, e tratá-las como procedimentos triviais compromete a segurança dos pacientes e contraria os princípios fundamentais da medicina”, informou o Cremesp em nota.

O cirurgião plástico Luiz Haroldo Pereira, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, destacou que hidrolipo é apenas um termo utilizado para a mesma técnica de lipoaspiração e não implica menor agressividade ou invasividade. “É o mesmo princípio de toda lipoaspiração. Ele não é menos invasivo, é invasivo como qualquer outra cirurgia. A diferença é que eles acham que custa mais barato, que fazem em qualquer lugar e em várias sessões. Com isso, muitas vezes ocasionando um problema porque se não houver recurso onde for operado e se houver uma depressão respiratória, o médico não tem como recuperar esse paciente. No hospital você tem todos os recursos de reanimação, de entubação, permitindo que tudo transcorra normalmente”, explicou o médico.

Pereira enfatizou ainda a necessidade de consultas presenciais e análise criteriosa para uma cirurgia desse porte, com realização de exames pré-operatórios que garantam a segurança do paciente. “Muitas vezes a consulta é só pelo vídeo e só vai conhecer o médico no dia do procedimento. É uma maneira de burlar a legislação e uma falta de cuidado com a pessoa, que não passou por análise cardiológica, por exames de sangue, não se conhece o paciente por dentro. E o cirurgião não teve chance de conversar, de estabelecer intimidade com o paciente porque vai cuidar da vida dessa pessoa. E estando em local inadequado é aí que tudo se complica, porque começou tudo errado. E quando as coisas começam errado há grande chance de terminar errado, mais do que nunca.”

Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) lamentou a morte de Paloma e prestou solidariedade à família. Informou que o Samu foi acionado às 12h42 de terça-feira (26), com a ambulância chegando ao local às 13h09. A paciente foi encaminhada ao Hospital Municipal Dr. Cármino Caricchio (Tatuapé), onde todas as manobras de reanimação foram realizadas, mas sem sucesso.

Ainda segundo a prefeitura, uma equipe da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) esteve no local do procedimento, na zona leste da cidade, na manhã da quarta-feira (27) e encontrou o estabelecimento fechado. Foi constatado que o Mana Hospital Day não possuía licença sanitária ou solicitação de licenciamento sanitário protocolada, gerando autuação e interdição do local.

O advogado do médico Josias Caetano dos Santos, Lairon Joe, declarou que Paloma assinou um termo de consentimento, com o marido da paciente, Everton Reigiota, como testemunha. “Neste termo tem como uma intercorrência a embolia pulmonar que pode chegar a óbito.” Segundo o advogado, Everton foi informado durante todo o processo sobre os sintomas e as tentativas de reanimação. Ele também destacou que o tromboembolismo pulmonar, que pode ocorrer após cirurgias, não está necessariamente relacionado à técnica utilizada, mas pode depender de diversos fatores.

WhatsApp
Facebook

Publicações relacionadas

SIGATEL
Compartilhe
WhatsApp
Facebook