A Justiça revogou, nesta quarta-feira (5), a prisão preventiva do suspeito de torturar e manter a dentista Kauany em cárcere privado por cerca de 12 horas, em Pinhais. O homem estava preso há quase oito meses e poderá responder ao processo em liberdade, desde que cumpra as condições determinadas pela Vara Criminal de Pinhais. Enquanto o suspeito teve a prisão revogada, a dentista teve medidas de proteção prorrogadas.
O caso aconteceu em dezembro de 2025 e teve grande repercussão depois que a dentista relatou as agressões publicamente. Segundo a investigação, ela teria sido espancada, ameaçada de morte e abusada sexualmente pelo então namorado.
A decisão que revogou a prisão levou em consideração, principalmente, o tempo em que o suspeito permanecia detido sem que a fase de produção de provas tivesse sido concluída. Segundo o parecer, a demora ocorreu porque a Polícia Científica ainda não conseguiu acessar o conteúdo do celular apreendido com o suspeito. Para o Ministério Público, como o atraso não foi provocado pela defesa, a manutenção da prisão por tempo indefinido não seria justificável.
Apesar de revogar a prisão, a Justiça impôs condições para que o suspeito permaneça em liberdade. Entre elas está o pagamento de fiança equivalente a dez salários mínimos. O homem também não poderá deixar Pinhais por mais de oito dias sem autorização judicial. Ele deverá permanecer em casa durante a noite, das 22h às 6h, além dos finais de semana, exceto em situações de emergência médica. Outra determinação é o uso de tornozeleira eletrônica por 90 dias, período que pode ser prorrogado. Caso descumpra qualquer uma das condições, uma nova prisão preventiva poderá ser determinada.
Na mesma decisão, a Justiça manteve por mais seis meses as medidas protetivas da dentista. A juíza considerou que os direitos da vítima ainda estão em risco e que existe possibilidade de nova violência. Em relatos anteriores, Kauany contou que foi mantida em cárcere por cerca de 12 horas e sofreu agressões físicas e psicológicas. Segundo ela, o então companheiro a atingiu com socos, chutes, puxões de cabelo e chineladas, além de fazer ameaças de morte. A dentista também relatou que, em uma das agressões, teve a cabeça arremessada contra um espelho e sofreu perda temporária da visão e da audição do lado direito. Após o caso, Kauany afirmou que passou a ter dificuldades para sair sozinha de casa, além de continuar realizando exames por causa de problemas auditivos e tonturas.
A defesa do suspeito, representada pelo advogado Caio Percival, afirmou que a decisão reconheceu que a prisão cautelar não poderia continuar por tempo indeterminado sem motivos concretos para mantê-la. O advogado também disse que o cliente admite alguns dos crimes descritos na denúncia, mas nega as acusações consideradas mais graves. “Aguardamos agora os próximos passos da Justiça, sobretudo esperando e confiando na absolvição dele da maioria desses fatos que a ele foram imputados. Ele é confesso de alguns delitos que estão descritos na denúncia, mas a maioria deles, sobretudo os mais graves, ele nega esses fatos e demonstra que essa versão da Kauane foi artificiosamente elaborada”, afirmou Percival.
O caso continua em andamento na Justiça, enquanto o suspeito passa a responder em liberdade após a prisão preventiva ser revogada.








