Rascunho automático
WhatsApp
Facebook
Casal é denunciado por morte de bebê em creche clandestina de Curitiba

Os donos de uma creche clandestina no bairro Tatuquara, em Curitiba, foram denunciados pelo Ministério Público pela morte de um bebê de quatro meses, registrada em maio do ano passado. O casal responderá por homicídio culposo, caracterizado pela ausência de intenção de matar.

De acordo com a denúncia, a criança foi alimentada, colocada para arrotar e deixada sozinha em um quarto da residência, sem supervisão, por um período de dez a quinze minutos. Nesse intervalo, o bebê sofreu engasgamento por regurgitação e faleceu por broncoaspiração. A promotoria afirmou que, ao retornarem ao quarto, os dois encontraram a criança com o rosto arroxeado e sem sinais vitais. Embora tenham tentado reanimar o bebê e acionado o Samu, o óbito foi confirmado ainda no local.

Além da denúncia criminal, o Ministério Público requisitou que cada um dos denunciados pague uma indenização de 20 salários mínimos aos pais da criança, permitindo o parcelamento do valor. Foi também proposta a suspensão condicional do processo por dois anos, mediante o cumprimento de medidas como comparecimento periódico ao cartório, proibição de frequentar bares e casas de jogos, e prestação pecuniária ou serviço comunitário.

A defesa do casal, representada pelo advogado Junior Ribeiro, afirmou ter recebido com surpresa a decisão da promotoria de oferecer a suspensão condicional do processo, em vez de propor o acordo de não persecução penal (ANPP), que, segundo ele, seria um direito dos acusados. Ribeiro declarou que recorrerá ao corregedor geral do Ministério Público, argumentando que o ANPP seria mais vantajoso por impedir o andamento da ação penal desde o princípio, enquanto na suspensão condicional, a denúncia é recebida e o casal torna-se réu, com a extinção do processo condicionada ao cumprimento das medidas judiciais. Caso o recurso seja negado, a defesa sustenta que provará no processo a ausência de culpa dos acusados pela morte do bebê.

Conforme o Ministério Público, o óbito ocorreu em um contexto de imprudência e negligência. A denúncia revelou que os responsáveis mantinham uma creche irregular na própria residência e recebiam um número excessivo de crianças simultaneamente. No dia dos fatos, aproximadamente 20 crianças e pré-adolescentes estavam sob a supervisão de apenas dois adultos. Além disso, foi informado que a creche funcionava de forma clandestina há mais de dez anos. Em 2022, a Vigilância Sanitária teria advertido os responsáveis para encerrar as atividades, mas, segundo o Ministério Público, o casal optou por continuar operando o espaço de maneira irregular.

WhatsApp
Facebook

Publicações relacionadas

Assembleia MAR 2023
Compartilhe
WhatsApp
Facebook