Em situações onde uma massa de ar mais seco e frio perdura por vários dias, a concentração de poluentes fica bastante evidente por um período maior, especialmente nas grandes cidades. Quando isso ocorre, além de poluentes, também acumulam-se materiais particulados, oriundos até mesmo dos incêndios florestais. Essa concentração pode inclusive reduzir a visibilidade.
Ao observar grandes cidades a distância no outono e no inverno, em dias de tempo seco, muitas vezes fica perceptível uma camada acinzentada próxima à superfície. De acordo com o Simepar, Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná, são poluentes concentrados e materiais particulados acumulados, devido à atuação da inversão térmica. Essa concentração também é a responsável pela percepção de céu laranja, costumeiramente visto no pôr do sol em dias frios.
Samuel Braun, meteorologista do Simepar, explica que, em uma atmosfera padrão, há uma camada de ar mais aquecida e mais leve próxima à superfície e, sobre ela, há uma camada de ar mais fria e mais pesada. Com isso, cria-se uma circulação na vertical que favorece a dispersão dos poluentes das grandes cidades para a atmosfera. “Já numa situação de inversão térmica, nós temos uma camada de ar fria próximo à superfície. Como o ar frio é mais pesado, não ocorre essa circulação na vertical. Por isso, os poluentes ficam concentrados numa camada bem próxima à superfície, basicamente onde nós vivemos e respiramos, e com isso, principalmente quem sofre de doenças respiratórias, acaba tendo problemas mais significativos quando há essa condição”, afirma.
Essas situações são mais comuns no outono e inverno, quando há maior predomínio de massas de ar frio. Normalmente, esse fenômeno ocorre durante a madrugada e início da manhã. “Em situações onde o sol predomina, gradualmente com o aquecimento do ar, o fenômeno perde força. Dessa maneira, entre o final da manhã e a tarde, os poluentes conseguem se dispersar para a atmosfera”, explica Samuel.
Quando uma massa de ar mais seco e frio permanece por vários dias, a concentração de poluentes se torna ainda mais evidente, principalmente em grandes cidades. Nesses momentos, além dos poluentes, acumulam-se materiais particulados, muitas vezes provenientes de incêndios florestais. Essa combinação intensifica a condição de névoa seca, que difere da neblina por não ser formada por gotículas de água.
A concentração de poluentes causada pela inversão térmica também influencia a percepção de céu laranja, frequentemente observado no pôr do sol em dias frios. As cores vistas no céu pertencem ao espectro visível, em que ondas mais curtas, como o ultravioleta e o azul, se dispersam mais facilmente entre o meio da manhã e o meio da tarde. Nesses momentos, o céu tende a ser mais azul devido à proximidade do sol à vertical.
Já no início da manhã e no fim da tarde, o percurso da luz solar na atmosfera é mais longo. Ondas de cores como azul e violeta se dispersam e se afastam da linha de visão, enquanto as cores de maior comprimento de onda, como vermelho, laranja e amarelo, conseguem atravessar e ser percebidas. A poluição e a poeira acumuladas pela inversão térmica intensificam os tons de vermelho e laranja durante o amanhecer e o entardecer.










