Historicamente, o período de maio a julho é quando ocorre o maior número de síndromes gripais no Paraná. No entanto, a antecipação da temporada de influenza no Brasil já acende alertas. Segundo o Ministério da Saúde, até abril deste ano, os casos de influenza no País cresceram 95% em relação ao mesmo período de 2025. Foram registrados mais de 5,5 mil casos de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG) por influenza e 352 óbitos relacionados à doença. Idosos, crianças e gestantes continuam a ser os mais vulneráveis a hospitalizações devido a essas síndromes.
No Paraná, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa-PR) conta com uma estrutura robusta para monitorar a circulação de vírus respiratórios. O trabalho é liderado pela Vigilância Epidemiológica em conjunto com o Laboratório Central do Estado (Lacen) e uma rede de 34 unidades sentinelas espalhadas pelas Regionais de Saúde. Esse sistema envolve a coleta regular de amostras de pacientes com sintomas gripais, que são analisadas pelo Lacen para identificar os vírus em circulação nas diferentes regiões. Esse mapeamento em tempo real orienta as decisões preventivas da Sesa, como campanhas de conscientização e distribuição de medicamentos.
A vacinação é a principal ferramenta para prevenir o agravamento das doenças respiratórias. Até 10 de maio, mais de 1,3 milhão de doses de imunizantes contra a influenza foram aplicadas no Paraná, sendo 760 mil em idosos acima de 60 anos e 150 mil em crianças entre 6 meses e menores de 6 anos, os grupos mais suscetíveis ao agravamento da doença. Em complemento à campanha de multivacinação, ações extramuros são realizadas em escolas, Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) e outros locais. A Sesa pretende alcançar uma cobertura de 90% dos grupos prioritários, o que corresponde a cerca de 4,5 milhões de paranaenses. Novas remessas do Ministério da Saúde e maior adesão da população são esperadas para cumprir a meta. A Secretaria destaca que tomar a vacina antes do inverno é essencial, já que o organismo leva até três semanas para desenvolver imunidade completa.
Além da vacinação, medidas não farmacológicas também são necessárias para prevenir as síndromes gripais. A Sesa recomenda higienizar as mãos com frequência, cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar, manter ambientes ventilados e evitar aglomerações. Objetos de uso pessoal não devem ser compartilhados. Pessoas com sintomas como febre, tosse ou mal-estar devem procurar as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e evitar atividades coletivas até a melhora do quadro. Além disso, hábitos como hidratação e alimentação equilibrada ajudam a fortalecer o organismo durante o inverno.
No clima frio, sintomas como cansaço, coriza, dores no corpo e indisposição tornam-se mais comuns. Embora muitas vezes associados apenas ao frio, esses sinais podem ser indicativos de infecções virais, baixa imunidade ou outras condições que demandam avaliação médica. De acordo com Marcos Kozlowski, especialista em bacteriologia do LANAC – Laboratório de Análises Clínicas, “muitas pessoas relatam fadiga intensa, indisposição prolongada ou sintomas respiratórios recorrentes nessa época do ano e acabam tratando isso como algo normal do frio. Mas, dependendo da duração e intensidade, esses sinais podem indicar desde infecções virais até deficiência de vitamina D, anemia ou processos inflamatórios”.
Kozlowski ressalta ainda que o frio em si não é o principal fator de aumento de doenças respiratórias, mas sim o comportamento característico da estação. “No frio, as pessoas permanecem mais tempo em ambientes fechados e com pouca ventilação, o que aumenta a circulação de vírus respiratórios como gripe, covid, rinovírus e VSR. Isso explica o crescimento dos casos nesse período”, afirma o especialista.









