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Campo Largo torna-se oficial Capital Nacional da Louça por lei sancionada

A cidade de Campo Largo passou a ser oficialmente reconhecida como a Capital Nacional da Louça. A sanção da Lei nº 15.453/2026 foi realizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (2). A legislação federal valoriza a tradição centenária do município na produção de louças e corrobora sua relevância histórica, cultural e econômica no cenário industrial brasileiro.

A nova lei entrou em vigor na data de sua publicação e encerrou a tramitação do Projeto de Lei nº 2.896/2024, proposto pelo deputado federal Paulo Litro, a pedido do Sindicato das Indústrias de Vidros, Cristais, Espelhos, Cerâmica de Louça, Porcelana, Pisos e Revestimentos Cerâmicos no Estado do Paraná (Sindilouça/PR). A proposta foi aprovada tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado Federal sem quaisquer emendas ou votos contrários.

Atualmente, Campo Largo é responsável por cerca de 75% da produção nacional de louças profissionais, voltadas predominantemente para os setores de hotelaria, gastronomia e alimentação. O município concentra indústrias de renome internacional, gerando milhares de empregos diretos e indiretos. O presidente do Sindilouça, Fábio Germano, destacou o esforço coletivo envolvido na conquista do título. “Com a sanção presidencial, essa conquista passa a fazer parte oficialmente da história de Campo Largo. É o encerramento de um trabalho que começou há mais de dois anos e que mobilizou muitas pessoas e instituições em torno de um objetivo comum. Por isso, além de celebrarmos esse reconhecimento, fazemos questão de agradecer a todos que contribuíram para que esse projeto se tornasse realidade”, afirmou Germano.

Ele também ressaltou as novas perspectivas que o reconhecimento traz para a cidade. “Agora inicia-se uma nova etapa, pois esse reconhecimento fortalece nossa identidade, amplia a visibilidade do setor e cria novas oportunidades para promover a indústria, incentivar o turismo e valorizar ainda mais a Feira da Louça e toda a cadeia produtiva. É uma conquista coletiva que pertence a cada trabalhador, empresário e cidadão campo-larguense que ajudou a construir essa história”, declarou.

A trajetória de Campo Largo no setor de louça remonta à década de 1920, quando foram registrados os primeiros passos da União Manufactora de Louças, que já distribuía produtos para várias regiões do Brasil. Esse desenvolvimento foi estimulado pela chegada de imigrantes italianos provenientes de Nove, no Vêneto, cidade considerada a Capital da Louça da Itália. Esse intercâmbio técnico deu origem a importantes fábricas da indústria cerâmica paranaense, como a Fábrica de Louças dos Munari & Cia, além das cerâmicas Campo Largo, Iracema e Iguassú.

Com o passar das décadas, o município consolidou dois ciclos industriais importantes: o da cerâmica e, posteriormente, o da porcelana. A partir da década de 1950, empresas como Germer e Schmidt expandiram sua atuação no mercado interno e externo. Em 1957, a imprensa paranaense começou a chamar Campo Largo de “Terra da Louça”, um título que ganhou força em 1960, quando as exportações para os Estados Unidos se iniciaram. Um dos acontecimentos marcantes desta época foi o envio de 1.200 jogos de jantar fabricados pela Steatita, através do Porto de Paranaguá, para outros continentes.

Além do setor industrial, Campo Largo também se consolidou como referência nacional ao organizar a Feira Nacional da Louça e da Cerâmica, que teve início em 1991. Este evento reúne fabricantes, artesãos e consumidores de todo o Brasil, fomentando a cadeia produtiva e promovendo o setor. Em 2026, a 33ª edição da Feira da Louça de Campo Largo está programada para acontecer entre os dias 03 e 13 de setembro, no City Center Outlet Premium.

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