No Paraná, pacientes com vitiligo encontram tratamento especializado e gratuito na rede pública de saúde. O Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná (HDSPR), localizado em Piraquara, é referência estadual no manejo da doença. Esse local, pertencente ao Governo do Estado, oferece desde consultas médicas até terapias modernas de repigmentação cutânea, tudo pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Nosso Hospital Dermatológico é referência em atendimentos dermatológicos e podemos por meio dessa unidade levar tratamento completo para várias patologias de pele, incluindo o vitiligo”, destacou o secretário de Estado da Saúde, César Neves.
O ambulatório dermatológico específico para a doença foi estruturado em 2023 e apresenta crescimento constante no número de pacientes acompanhados. Em 2025, 209 pacientes ativos foram registrados, incluindo 74 novos casos. De janeiro a maio deste ano, já são 125 pacientes ativos, sendo 37 novos nesse período, evidenciando o impacto positivo da reestruturação física e técnica promovida pelo Governo do Estado.
O vitiligo é uma condição autoimune e genética, com forte influência hereditária. “Na prática, as células de defesa do próprio corpo, chamadas linfócitos T, passam a se voltar contra os melanócitos, destruindo-os. Com isso, o organismo perde a melanina, substância responsável por dar a cor natural à pele”, explicou o médico dermatologista e coordenador do HDS, Caio Cesar Silva de Castro. A idade média de manifestação é de 24 anos, mas os sintomas podem aparecer em qualquer etapa da vida e acometer todos os fototipos de pele. Em peles claras, no entanto, as lesões tendem a ser menos visíveis.
Embora o vitiligo não seja transmissível ou fatal, ele requer acompanhamento médico contínuo. “Além do forte prejuízo na autoestima do paciente, a perda da melanina remove uma barreira natural contra os raios solares, aumentando o risco de queimaduras, envelhecimento precoce e lesões pré-cancerígenas na pele”, destacou o médico. A condição também pode causar inflamações oculares e perda auditiva neurossensorial, já que melanócitos estão presentes na cóclea e nos olhos. Entre os métodos diagnósticos estão a avaliação clínica, a Lâmpada de Wood e, em casos específicos, biópsias.
A doença se divide em dois grupos principais: o segmentar – restrito a uma parte do corpo – e o não segmentar, que inclui as formas focal, acrofacial, generalizada e universal. Não há cura definitiva, mas os tratamentos atuais oferecem altos índices de sucesso clínico. Entre as opções estão corticoides, imunossupressores e, principalmente, a fototerapia com UVB de banda estreita. “A fototerapia consiste em uma cabine de luz ultravioleta que atua diretamente no foco biológico do problema, eliminando as células de defesa invasoras e estimulando a repigmentação natural da pele”, explicou o médico. Os resultados variam conforme a resposta individual do paciente e o tratamento exige dedicação prolongada.
Kaline Machado, moradora de Quitandinha, é uma das pacientes acompanhadas pelo HDSPR. Aos 23 anos, ela compartilha sua experiência com o vitiligo, doença que surgiu em sua vida ainda na adolescência. Em 2019, uma mancha no ombro esquerdo a levou a buscar atendimento médico. Encaminhada para o Hospital Dermatológico, ela recebe tratamento com medicações e fototerapia, que tem gerado resultados animadores. “Eu brinco que o hospital virou minha segunda casa, já que vou lá duas vezes por semana e me acostumei totalmente com a rotina e com as pessoas”, contou.
A jovem também utiliza as redes sociais, por meio do perfil @diiariodevitiligo, para desmistificar a doença e conscientizar a população. “É uma forma de ajudar a desmistificar a doença. Algumas pessoas são maldosas, outras são apenas desinformadas, e quero ajudar a esclarecer o que é a doença”, explicou Kaline.
O acesso ao atendimento especializado no HDSPR é regulado para garantir equidade entre os moradores de todo o estado. O fluxo começa na Unidade Básica de Saúde, onde a avaliação inicial é realizada. Pacientes que necessitam de acompanhamento com especialista são encaminhados ao serviço de Dermatologia, e o tratamento com fototerapia segue o mesmo caminho. O compromisso com o cuidado integral reflete a importância de um atendimento gratuito e qualificado pelo SUS.









