Nos primeiros cinco meses de 2026, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) realizou 10.214 atendimentos a idosos que sofreram quedas no Paraná. Em 2025, o total de casos registrados no estado foi de 24.417. Além das ações de socorro, esses acidentes sobrecarregam a porta de entrada do sistema público de saúde. Os dados, da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), foram divulgados em alusão ao Dia Mundial de Prevenção de Quedas, que foi celebrado nesta quarta-feira (24), como parte de um esforço para conscientizar sobre os riscos e a prevenção desse problema.
Entre janeiro e maio de 2026, a Atenção Primária à Saúde (APS) registrou 2.691 atendimentos relacionados a quedas, ante 5.627 em todo o ano anterior. Entre esses atendimentos, 42,6% envolviam pessoas idosas. Apesar de os idosos representarem 18,1% da população do Paraná, eles respondem por uma parcela muito maior das ocorrências e complicações associadas. Segundo o Sistema de Informações da Pessoa Idosa no Paraná (SIPI-PR), 9,4% dessa população cadastrada sofreu duas ou mais quedas no último ano.
As principais causas de quedas em idosos incluem escorregões, tropeços, desequilíbrios e passos em falso. Essas ocorrências, frequentes entre pessoas com mais de 60 anos, podem resultar em fraturas, internações prolongadas e perda de independência, comprometendo a qualidade de vida. “As quedas não devem ser encaradas como uma consequência natural do envelhecimento. Na grande maioria dos casos, esses acidentes podem ser evitados com intervenções simples no dia a dia, adaptações no ambiente e, acima de tudo, o acompanhamento adequado pela equipe de saúde”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, César Neves.
“O Paraná conta com uma rede estruturada na Atenção Primária para monitorar a saúde da pessoa idosa, identificando precocemente fatores de risco como a perda de equilíbrio, problemas de visão ou o uso de múltiplos medicamentos, agindo antes que o acidente aconteça”, explicou Neves. Entre as principais recomendações da Sesa estão medidas como manter os ambientes livres de obstáculos, instalar barras de apoio em banheiros e corredores, utilizar calçados adequados, garantir boa iluminação e praticar exercícios físicos para melhorar o equilíbrio e o fortalecimento muscular, além de revisar medicamentos regularmente com a equipe de saúde.
Para apoiar essas iniciativas, o Paraná desenvolve diversas políticas de saúde voltadas à população idosa. Uma delas é a Linha de Cuidado da Saúde da Pessoa Idosa, que prioriza o rastreio da funcionalidade desse público, permitindo a atuação preventiva de equipes multiprofissionais. “O projeto Envelhecer com Saúde no Paraná norteia nossos trabalhos, ações e iniciativas voltadas à população idosa no Estado. Mantemos um olhar atento e sabemos da importância de aprimorar continuamente nossas políticas públicas para garantir um envelhecimento com dignidade e segurança”, destacou Maria Goretti Lopes, diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa.
Uma das estratégias da Secretaria é a capacitação de profissionais de saúde, oferecendo materiais de apoio para equipes, famílias e cuidadores. Entre os recursos disponíveis está o “Curso Introdutório Linha de Cuidado à Saúde da Pessoa Idosa”, acessível gratuitamente pela plataforma Avasus Paraná, com um módulo específico sobre prevenção de quedas e acidentes domésticos. Além disso, em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Sesa disponibiliza o Manual de Prevenção de Quedas de Idosos, material que aborda os principais riscos e apresenta soluções práticas para garantir a segurança dos idosos em casa. O manual inclui recomendações específicas para cômodos como banheiros, quartos, cozinhas e escadas, reforçando a importância de um ambiente seguro para reduzir acidentes.









