Casos recentes envolvendo supostos objetos voadores não identificados (OVNIs) no Paraná voltaram a movimentar as redes sociais e acender debates entre curiosos, céticos e entusiastas do tema. Em Pontal do Paraná, no litoral do estado, e em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba — este último a partir de um vídeo gravado pelo influenciador digital Mayk Leão — registros de luzes e movimentos no céu reacenderam a velha pergunta: “o que está cruzando nossos céus?”

Apesar da repercussão e da criatividade dos comentários online, não há confirmação oficial de órgãos científicos ou aeronáuticos sobre a origem dos objetos registrados. Por enquanto, seguem como mistério ou boa imaginação coletiva.
Região de Curitiba já entrou no radar (e no céu) dos relatos
A região de Curitiba não é exatamente novata quando o assunto é “algo estranho lá em cima”. Pesquisadores da área de ufologia já apontaram a capital e arredores como uma das regiões do Paraná com maior número de relatos de avistamentos.
Em 2014, o pesquisador Ademar Gevaerd, então coordenador de fórum e diretor da Revista UFO, afirmava que o entorno da capital registrava em média dois a três relatos por semana — principalmente a partir de depoimentos de pilotos da aviação civil e comercial durante pousos, decolagens e sobrevoos no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais.
Segundo ele, os registros também eram frequentes em cidades da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), como Quatro Barras, Campina Grande do Sul e Piraquara, além de pontos mais amplos do estado, incluindo o litoral paranaense, como Serra do Mar, Alexandra, Itapoá, Guaratuba e Pontal do Sul.
Quatro Barras já teve “expedição oficial” em busca de respostas
No ano seguinte, em 2015, o município de Quatro Barras resolveu entrar no mapa das investigações com mais seriedade (e bastante curiosidade). Os pesquisadores independentes Gerson de Melo Runpfe e Kelvin Byron, a convite de setores ligados à Secretaria de Turismo local, deram início ao projeto “Ufologia Quatro Barras”, com o objetivo de investigar relatos de avistamentos na região.
A cidade acabou sendo apontada como um possível “hotspot ufológico”, com destaque frequente para a região do Morro do Anhangava — um dos pontos mais citados em relatos de moradores ao longo dos anos. A área serrana, cercada por mata e trilhas, virou quase protagonista nas histórias: de avistamentos a luzes misteriosas no céu.
Segundo os pesquisadores, o trabalho envolvia entrevistas com moradores e a coleta detalhada de informações como local, horário, formato e comportamento dos objetos observados — uma espécie de “ficha técnica do desconhecido”.
Embora o levantamento tenha sido realizado em uma gestão municipal anterior, em contato com a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Quatro Barras, a pasta não informou, até o fechamento desta edição, se o projeto teve continuidade ou se os resultados finais chegaram a alguma conclusão oficial.

Morro do Anhangava: entre o céu misterioso e o voo bem real
No caso do Morro do Anhangava, em Quatro Barras, existe um detalhe importante que ajuda a trazer os pés (ou pelo menos parte do olhar) de volta ao chão: a região também é amplamente utilizada para a prática de voo livre, como asa-delta e parapente.
O Morro do Anhangava e o Campo do Samambaia funcionam como pontos históricos e áreas de treinamento para esportes aéreos. E isso, na prática, pode gerar confusões interessantes — afinal, um parapente distante contra o pôr do sol pode facilmente virar “objeto não identificado” para quem observa de longe. Ainda assim, relatos seguem existindo e alimentando o imaginário local.

Comunidade no Facebook virou ponto de encontro de relatos
Durante o período de maior interesse pelo tema, surgiu no Facebook a comunidade “Ufologia Quatro Barras”, onde usuários compartilhavam relatos, fotos e vídeos de supostos fenômenos na região.
O grupo reunia desde luzes no céu até histórias pessoais de experiências consideradas fora do comum — uma espécie de arquivo coletivo do “eu vi algo estranho lá em cima”.
Entre o mistério e a internet
No fim das contas, os relatos seguem alimentando o imaginário popular e mantendo o Paraná — especialmente a região de Curitiba e o litoral — entre os pontos mais comentados quando o assunto é fenômenos aéreos não identificados.
Até o momento, não há confirmações oficiais da Força Aérea Brasileira ou de órgãos científicos sobre a origem dos registros. E assim, o céu segue aberto para interpretações.










