Falta de resultados práticos e impacto financeiro pesaram na decisão do Executivo, revelou o secretário
Durante a sessão ordinária dessa segunda-feira (13), na Câmara Municipal de Quatro Barras, o secretário municipal de Ordem Pública e Segurança Pública, Cariovaldo de Andrade Ferreira Neto, utilizou a Tribuna Livre para prestar esclarecimentos sobre a proposta de saída do município do Consórcio das Guardas Municipais da Região Metropolitana de Curitiba (Coin-GM). Segundo ele, a decisão do Executivo foi baseada em análises técnicas, operacionais e financeiras.
Logo no início da fala, o secretário foi direto ao ponto ao questionar a efetividade da participação no consórcio. “Faz um ano e dois meses que estou à frente da Secretaria e não vi nada que agregasse, a não ser despesa, risco e custo sem fundamento.”
Ele explicou que, além da mensalidade, o município acaba arcando com gastos extras sempre que precisa deslocar agentes para outras cidades. “Quando desloca guardas para outro município, você paga hora extra, combustível e ainda assume o risco de um acidente fora da cidade.”
Ao abordar o impacto financeiro, Cariovaldo destacou que os custos não se justificam diante da ausência de benefícios concretos. “Tivemos um gasto de cerca de R$ 30 mil nos últimos anos. Em contrapartida, praticamente nada. Não tem fundamento manter.”
O secretário também criticou a falta de retorno prático por parte do consórcio, inclusive em situações consideradas básicas. “Foi prometido apoio, equipamentos, até uma lanterna ficou de ser entregue e nunca chegou.”
Outro ponto levantado foi a ausência de suporte em demandas mais complexas, como articulações junto a órgãos federais. “Não houve auxílio em questões importantes, como processos junto ao Exército ou outras demandas institucionais. A contrapartida é zero.”
Cariovaldo ainda ressaltou que cidades menores, como Quatro Barras, acabam não sendo prioridade dentro da estrutura do consórcio. “A ingerência acontece mais para cidades grandes, com maior arrecadação. Nós ficamos distantes dessa realidade.” Diante desse cenário, ele afirmou que a decisão de saída busca otimizar recursos e fortalecer ações locais.
“Nossa gestão é focada em Quatro Barras. Não vejo vantagem em manter uma estrutura que não traz retorno ao município.” Durante a sessão, vereadores questionaram a falta de informações detalhadas no projeto de lei que trata do desligamento, especialmente sobre valores e impactos. O secretário respondeu aos questionamentos e se colocou à disposição para apresentar relatórios mais completos. A proposta segue em tramitação na Câmara e ainda deve passar por novas discussões antes da votação final. A reportagem também procurou o Coin-GM para obter um posicionamento sobre o tema, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.








