A Polícia Civil do Paraná (PCPR) prendeu 10 pessoas durante uma operação contra um grupo criminoso investigado pela prática do golpe do falso advogado. A fraude causou um prejuízo de aproximadamente R$ 2 milhões a uma vítima idosa de Curitiba. A ação foi realizada nesta quinta-feira (8) nas cidades de Fortaleza, Maracanaú e Eusébio, no Ceará, com apoio da Polícia Civil do Ceará (PCCE).
Ao todo, foram emitidos 15 mandados de prisão temporária e 17 de busca e apreensão. Até o momento, dez investigados haviam sido presos, e as equipes continuavam realizando diligências para localizar os demais alvos. A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 2,09 milhões em contas bancárias e aplicações financeiras relacionadas aos investigados.
A investigação começou após a idosa registrar o prejuízo de R$ 2 milhões, resultado de transferências bancárias realizadas para criminosos que se passaram por seu advogado e por representantes de órgãos públicos e financeiros. Segundo a polícia, os suspeitos utilizavam aplicativos de mensagens e obtinham informações em consultas públicas de processos judiciais e dados de advogados. Em algumas situações, também usavam imagens de escritórios e documentos falsificados para convencer as vítimas.
De acordo com o delegado da PCPR, Emmanoel David, os criminosos afirmavam às vítimas que elas teriam valores a receber em processos judiciais, mas exigiam pagamentos antecipados para liberar o dinheiro. “Eles forjam documentos judiciais, afirmando que a sentença foi favorável e que pode ser feito um pagamento no valor da demanda específica. Só que é necessário pagar para levantar esse dinheiro e as vítimas acabam fazendo os pagamentos”, explicou.
Durante as investigações, a PCPR identificou que o grupo estava envolvido em outros golpes, incluindo fraudes relacionadas a falsos leilões, e mapeou a movimentação financeira dos valores obtidos ilegalmente. Após as transferências, os suspeitos distribuíam o dinheiro entre diversas contas bancárias, prática conhecida como pulverização financeira. Foram identificados 15 participantes na movimentação do dinheiro, sendo 11 beneficiários primários e quatro secundários. Em uma das movimentações analisadas, R$ 30,6 mil transferidos pela vítima foram enviados integralmente a outro investigado no mesmo dia, deixando a conta inicial com saldo de apenas R$ 0,01.
Ainda segundo o delegado, a operação identificou suspeitos encarregados de contactar as vítimas e operar os dispositivos usados nos golpes. A investigação conta com o acompanhamento da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Paraná (OAB-PR), que tem colaborado para o enfrentamento desse tipo de crime. A presidente da Comissão de Prerrogativas da OAB Paraná, Bárbara Ferrassioli, destacou a importância da troca de informações entre as instituições. “Temos uma comissão própria para dar tratamento a essas denúncias e mantemos uma interlocução constante, periódica, praticamente semanal, com a Delegacia de Estelionatos, com a Polícia Civil do Paraná, para que a gente possa fornecer subsídios, especialmente sobre como os golpistas têm dialogado com as vítimas”, afirmou.
As investigações continuam com foco na identificação de outros envolvidos, análise dos materiais apreendidos e recuperação dos valores desviados.
A PCPR orienta a população a desconfiar de mensagens enviadas por números desconhecidos que envolvam a liberação de valores judiciais e solicitem pagamentos antecipados. O coordenador da Comissão de Inteligência e Combate ao Golpe do Falso Advogado da OAB Paraná, Leandro Pereira, reforça a necessidade de confirmar qualquer solicitação diretamente com o advogado responsável pelo processo, utilizando canais confiáveis. Em caso de suspeita, a recomendação é não realizar transferências e registrar um boletim de ocorrência. Denúncias podem ser encaminhadas pelo canal disponível no site da OAB Paraná.







