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Curitiba pede retirada de 40,7 km de trilhos urbanos no novo contrato de concessão da Malha Sul

Um novo capítulo no debate sobre a concessão da Malha Sul será escrito no dia 27 de julho, quando Curitiba abrirá uma rodada de audiências públicas com as capitais do Sul. A Prefeitura da cidade cobra a remoção dos trilhos ferroviários em áreas urbanas pelos próximos 30 anos, o que não está previsto na proposta original apresentada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O processo discute a nova concessão, cujo contrato atual expira em fevereiro de 2027, e teve início em novembro de 2024. A proposta da ANTT vem enfrentando resistência tanto da Prefeitura de Curitiba quanto de representantes do setor produtivo no Paraná.

Na audiência pública inicial, realizada na última quinta-feira (16) em Brasília, o prefeito Eduardo Pimentel (PSD) apresentou as principais reivindicações da capital paranaense. Entre elas, a inclusão de contornos ferroviários e dos ramais Leste e Oeste no edital, além da retirada dos trilhos da área urbana. Após o encontro, o secretário nacional de Transporte Ferroviário, George Santoro, declarou que as demandas da comitiva serão analisadas. Outras audiências estão previstas em Porto Alegre, em 29 de julho, e Florianópolis, em 31 de julho. Enquanto isso, a consulta pública sobre o novo modelo de concessão se mantém aberta até o dia 10 de agosto.

Segundo a Prefeitura de Curitiba, a ferrovia que corta a cidade é um obstáculo significativo à mobilidade urbana e à segurança no trânsito. Os 40,7 quilômetros de trilhos atravessam 21 bairros e concentram o maior número de acidentes ferroviários do Brasil. Entre 2015 e 2025, foram registradas 433 ocorrências, e no período de 2020 a 2026, os acidentes resultaram em 29 mortes. Apesar desse histórico, o edital inicial não exige que a futura concessionária construa contornos ferroviários que desloquem os trens de carga das áreas urbanas. Caso o documento permaneça inalterado, as composições continuarão utilizando o traçado atual pelos próximos 30 anos.

No Paraná, a retirada dos trilhos está prevista na Lei Estadual n° 20.650/2021, que determina a inclusão de contornos ferroviários nos novos contratos de concessão. Este é o primeiro processo de concessão de ferrovias iniciado desde que a legislação entrou em vigor.

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