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Campina Grande do Sul se despede do coreógrafo Deywetty Molari, que foi professor de dança e ballet no município

A arte e a cultura de Campina Grande do Sul entraram em luto neste fim de semana. Morreu na madrugada deste sábado (21) o coreógrafo e professor Deywetty Geovani Molari, aos 32 anos. Morador do bairro Jardim Ceccon, ele estava internado no Hospital Oswaldo Cruz, em Curitiba, onde realizava tratamento contra hepatite.

Formado em dança pela Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Deywetty construiu uma trajetória marcada pela sensibilidade artística, pela dedicação ao ensino e pelo compromisso com a transformação social por meio da cultura — atuação que ultrapassou Campina Grande do Sul, alcançando também projetos culturais em Piraquara e na capital, incluindo a participação artística em duas escolas de samba que se apresentaram no Carnaval de Curitiba neste ano.

Dança e superação

Ao longo da carreira, Deywetty integrou o Dancep, grupo de dança contemporânea do Colégio Estadual do Paraná (CEP), onde deixou sua marca.

Além da dança contemporânea, Deywetty também atuou como professor de ballet em Campina Grande do Sul, desenvolvendo o talento de crianças e incentivando o acesso à arte em diferentes contextos sociais.

Outro importante capítulo de sua trajetória foi no Grupo Lanteri, tradicional companhia paranaense responsável pela segunda maior encenação da Paixão de Cristo do Brasil. Por cerca de 15 anos, ele colaborou diretamente nas coreografias e na preparação corporal dos artistas, sendo peça fundamental na construção das cenas e movimentações dos espetáculos.

Referência na dança em Campina Grande do Sul

Em Campina Grande do Sul, Deywetty teve atuação marcante em diversos projetos culturais, levando a dança para crianças, jovens, adultos e idosos — essa última faixa etária por meio de iniciativas ligadas à Lei Paulo Gustavo.

Somente entre 2023 e 2024, o coreógrafo alcançou números expressivos: foram mais de 450 crianças atendidas em suas aulas e projetos, além de cerca de 100 alunos adultos e idosos, evidenciando o impacto direto do seu trabalho na formação cultural do município.

Seu trabalho ia além das salas tradicionais. Ele deu aulas tanto na Praça CEU, na região do bairro Eugênia Maria, quanto localidades como Ribeirão e Terra Boa.

A coordenadora de Cultura na época, Eliane Pedroso, acompanhou de perto a dedicação do professor e relembra com carinho da sua atuação. “O Deywetty tinha uma sensibilidade muito especial. Ele conseguia enxergar o potencial em cada aluno, independentemente da idade ou da realidade. Era um profissional dedicado, que trabalhava com amor e transformava vidas através da dança”, afirmou.

Cultura local no palco

Entre suas contribuições mais lembradas está o desenvolvimento de espetáculos que valorizavam a identidade local. Um dos destaques foi a criação de uma apresentação inspirada na lenda da Cobra do Capivari, história do imaginário popular de Campina Grande do Sul.

O espetáculo uniu dança, música e elementos circenses para contar a narrativa de uma cobra que teria se perdido e se escondido nas águas da represa do Capivari, transformando a lenda em uma experiência artística envolvente. A apresentação também evidenciou o talento de crianças da cidade e reforçou o papel da cultura como ferramenta de pertencimento.

“Fomos fundo nas raízes da nossa cultura, explorando lendas e histórias que alimentam o imaginário da cidade”, dizia Deywetty em um dos registros sobre o projeto. O trabalho, segundo ele, buscava construir de forma coletiva valores como inclusão, dedicação e amor pela arte.

Deywetty, com sua vasta experiência no Grupo Lanteri, também contribuiu para o aprimoramento das apresentações da tradicional Paixão de Cristo, realizadas anualmente no Santuário Nossa Senhora de Fátima, no Jardim Paulista. Assim como na companhia, ele foi responsável por desenvolver as cenas coreográficas, orientando e preparando os atores para a expressão corporal e a dança no palco.

Legado de transformação

Colegas e alunos lembram de Deywetty como um profissional comprometido, generoso e apaixonado pelo que fazia. Sua capacidade de ensinar, criar e inspirar fez dele uma referência na dança local e regional.

Segundo relatos, mesmo diante de problemas de saúde recorrentes nos últimos meses, ele mantinha o compromisso com seus projetos e com os alunos, demonstrando resiliência e amor pela arte até os últimos momentos.

Comoção e homenagens

A morte de Deywetty gerou grande comoção entre instituições, grupos culturais e amigos, que prestaram homenagens e destacaram seu legado artístico e humano.

Em nota, a Acrica Piraquara ressaltou a marca deixada pelo coreógrafo:

“Sua paixão vibrante pela arte e seu carinho genuíno marcaram a todos. Agradecemos por cada sonho que ele começou a ensaiar conosco e pela alegria que trouxe para o nosso espaço. Sua essência criativa continuará nos inspirando. Nossos profundos sentimentos à família e aos amigos. Descanse em paz, entre luzes e aplausos.”

A Universidade Estadual do Paraná (Unespar), onde ele se formou, também manifestou pesar:

“É com grande pesar que comunicamos o falecimento de Deywetty Molari, egresso do curso de Bacharelado e Licenciatura em Dança do Campus de Curitiba II/FAP da Unespar. A Unespar presta suas condolências aos familiares e amigos.”

Já o Grupo Lanteri, com quem Deywetty manteve uma longa trajetória, por meio de seu diretor, Aparecido Izabel Massi, destacou a importância do artista e, em respeito, suspendeu temporariamente as atividades.

“Perdemos um grande incentivador e colaborador; um jovem que não media esforços para o sucesso de cada espetáculo”, afirmou Massi. Ele também ressaltou o vínculo do coreógrafo com a companhia, lembrando que Deywetty atuava desde 2011 como coreógrafo, bailarino e integrante ativo nas produções.

O brilho na avenida: o legado de Deywetty no Carnaval 2026

Para além das salas de aula e dos palcos de teatro, Deywetty Molari também marcou presença no Carnaval de Curitiba em 2026. À frente das comissões de frente, foi responsável por abrir os desfiles, conduzindo o primeiro contato com o público e os jurados. As duas escolas de samba das quais fez parte destacaram sua relevante contribuição artística:

“Na escola, Deywetty era visto como uma presença essencial. Como diretor de comissão de frente, ele ia além da coreografia; ele entregava paixão e inspiração em cada passo, ajudando a construir sonhos e a eternizar emoções através do movimento” disse a Associação Asas de Prata.

“Reconhecido pelo carisma e brilho próprio, ele era o responsável por coreografar a comissão de frente da escola, trazendo a elegância da dança contemporânea para o ritmo do samba. Para a agremiação, sua ausência deixa um vazio no “espetáculo que não termina”, pois seu ensino permanece vivo em cada componente que ele transformou”, destacou a Enamorados do Samba.

Despedida

O velório de Deywetty está ocorrendo na capela 7 do Cemitério Vertical, na Rua Konrad Adenauer, 940, em Curitiba. O sepultamento está marcado para este domingo (22), às 12h, no mesmo local.

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