O mercado automotivo brasileiro atravessa um período de crescimento, com alta na produção e nas vendas de veículos. No primeiro semestre de 2026, o país produziu 1,372 milhão de unidades, crescimento de 8,8% em relação ao mesmo período de 2025 e o melhor resultado para os primeiros seis meses do ano desde 2019. A Anfavea projeta ainda mais de 3 milhões de veículos emplacados ao longo do ano.
É nesse cenário que a Megatech, instalada há mais de três décadas no bairro Borda do Campo, em Quatro Barras, amplia os investimentos e a capacidade produtiva. A empresa atravessa uma nova fase de expansão, marcada pela chegada de novos projetos, aquisição de máquinas, ampliação da estrutura física e crescimento do quadro de colaboradores para atender à demanda de novos contratos.
O movimento também acompanha as transformações da indústria, com investimentos em tecnologia, novos modelos e diferentes soluções de mobilidade. Para a Megatech, fornecedora de componentes plásticos para o setor automotivo, esse ambiente representa novas oportunidades de negócios e a necessidade de preparar a unidade para uma demanda maior.
A nova fase ocorre após a aquisição de 100% do Grupo Megatech Industries pela italiana SAPA – The One-Shot® Company, concluída em março de 2025. A operação ampliou a presença internacional do grupo, especializado em moldagem por injeção de plásticos para o setor de mobilidade, que passou a reunir negócios com receita próxima de 700 milhões de euros, segundo a SAPA.
Expansão acompanha novos projetos
Na unidade de Quatro Barras, a capacidade instalada está praticamente ocupada. Para atender aos novos negócios, a empresa está ampliando sua estrutura física com cerca de 1,1 mil metros quadrados de novas áreas e aproximadamente 2,3 mil metros quadrados destinados à movimentação e embalagem.

O projeto prevê ainda a entrada de quatro novas máquinas, além de investimentos em equipamentos e estrutura técnica. Entre os novos projetos estão componentes para veículos da Volkswagen, incluindo uma nova picape, além de um projeto para um SUV. A empresa também mantém negócios com Renault e Volvo.

“Este é um dos maiores anos de investimento que tivemos aqui. A gente chegou a um ponto em que não consegue mais crescer sem investir. Por isso estamos ampliando a estrutura, adquirindo máquinas e preparando as pessoas para acompanhar esse crescimento”, afirma a diretora-geral Isabel Fantini.
A expansão também elevou o quadro de funcionários para aproximadamente 207 colaboradores. Para o próximo ciclo, a expectativa é de crescimento de 20% a 25% no número de trabalhadores, acompanhando a entrada dos novos projetos.
Formação dentro da própria fábrica
A preparação dos profissionais tornou-se uma das prioridades da empresa. A SAPA do Brasil (Megatech) desenvolve programas internos de capacitação para reduzir a dificuldade de encontrar mão de obra especializada e criar oportunidades de crescimento para quem já trabalha na fábrica.

Em parceria com o Sesi, a empresa concluiu uma capacitação com duração de aproximadamente dois anos, voltada ao aprimoramento técnico dos colaboradores. Agora, a empresa avançou para a Escola de Liderança, iniciada em abril e que engloba 15 profissionais em uma formação de aproximadamente 60 horas.
“A nossa visão é que não adianta ter máquina, tecnologia e uma fábrica maior se as pessoas não estiverem preparadas para acompanhar tudo isso. Por isso, a gente trabalha muito forte na formação interna”, explica Isabel.
A formação também busca fortalecer a retenção de talentos e dar estabilidade aos processos produtivos. “Quando a pessoa é formada aqui dentro, ela conhece a nossa cultura, o nosso processo e passa a ter mais segurança para exercer a função. Isso aumenta o engajamento e também melhora nossos indicadores”, acrescenta a diretora-geral.
Retenção de profissionais
A estratégia de formação interna também é apontada pela área de Recursos Humanos como um dos caminhos para atrair, desenvolver e manter profissionais especializados. Segundo a empresa, trabalhadores das áreas técnicas e administrativas costumam permanecer vários anos na organização, resultado de uma política que busca formar novos profissionais e oferecer oportunidades de desenvolvimento de carreira.
O principal desafio está nos cargos de entrada, especialmente na função de operador de nível 1, que disputa mão de obra com outras empresas da Região Metropolitana de Curitiba. Diante desse cenário, a empresa ampliou a estratégia de recrutamento por meio de uma nova parceria com o Sistema Fiep para a captação e contratação de migrantes e refugiados. Atualmente, esse público representa 7% do quadro atual de colaboradores.
Para a gerente de RH/SMA, Rosilene Bassete, a iniciativa integra uma política de gestão de pessoas que busca ampliar as possibilidades de contratação e, ao mesmo tempo, fortalecer a diversidade no ambiente de trabalho. A participação de migrantes e refugiados também contribui para uma cultura organizacional baseada na inclusão e na valorização de diferentes trajetórias.
“É uma mão de obra muito específica. Na nossa região, não temos muitas indústrias de plástico para buscar profissionais já prontos. Então, entendemos que formar as pessoas dentro da empresa é uma maneira de criar conhecimento, desenvolver carreira e aumentar a retenção”, afirma Rosilene.
Recursos Humanos
Esse trabalho de formação e retenção também acompanha o crescimento da empresa e amplia os desafios da área de Recursos Humanos. Com a expansão das operações, a empresa vem ampliando os treinamentos e as iniciativas de desenvolvimento profissional, preparando os colaboradores para assumir novas funções e responsabilidades.

“Estamos trabalhando para preparar as pessoas para esse novo momento da empresa. A Escola de Liderança é uma etapa importante porque esses profissionais passam a ter responsabilidades maiores”, explica Rosilene.
Segundo ela, a formação interna também contribui para criar perspectivas de carreira e fortalecer o vínculo dos profissionais com a empresa. “Quando o colaborador percebe que existe espaço para crescer e que a empresa está investindo na formação dele, isso gera mais engajamento. Ele passa a perceber que pode construir uma trajetória profissional dentro da empresa”, afirma.
Tecnologia e modernização
A ampliação física ocorre junto com a modernização dos processos produtivos. Entre as iniciativas estão a digitalização de documentos, sistemas integrados, automação e ferramentas de acompanhamento da produção.
A unidade utiliza o sistema MES, que permite acompanhar diferentes etapas da fabricação e reunir informações sobre a operação. Equipamentos com câmeras de visão também auxiliam na identificação de possíveis diferenças nos produtos.
A inteligência artificial começa a ser incorporada aos processos, ainda de forma inicial e seguindo as diretrizes de governança do grupo. “Estamos começando a trabalhar com inteligência artificial, mas de forma bastante responsável. Existe uma política de governança do grupo e regras para utilização das ferramentas”, explica Isabel.
Crescimento com responsabilidade
A nova fase também trouxe maior visibilidade às iniciativas relacionadas à sustentabilidade, governança e responsabilidade social. A empresa passou a participar de programas e processos de reconhecimento ligados à agenda ESG.
A direção avalia que a expansão precisa acompanhar as transformações do setor automotivo, como a chegada de novas montadoras ao Paraná e o avanço dos veículos eletrificados.
“Estamos crescendo, mas queremos crescer com sustentabilidade e responsabilidade. A gente mede os riscos, avalia os investimentos e procura fazer tudo de maneira muito consciente. Esse amadurecimento também veio com o trabalho de ESG”, afirma a diretora-geral Isabel Fantini.
Além das ações internas, a SAPA do Brasil (Megatech) mantém iniciativas sociais com destinação de parte do Imposto de Renda para projetos sociais voltados à infância e à saúde, incluindo a Acridas e o Hospital Erastinho.







