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Acidentes fatais em cachoeiras no Paraná somam 30 mortes desde 2021, aponta levantamento

Após cinco dias de buscas, o corpo da fotógrafa Ana Paula Silveira Cardoso, de 29 anos, foi encontrado nesta quinta-feira em Sapopema, no norte do Paraná. A mulher sofreu um acidente no último sábado, quando fazia uma trilha com uma amiga no Salto das Orquídeas. Ao tentar atravessar o Rio Lajeado Liso, escorregou e foi levada pela correnteza, caindo de uma cachoeira de aproximadamente 45 metros de altura.

De acordo com um levantamento exclusivo do Bem Paraná, nos últimos cinco anos (desde janeiro de 2021 até agora), pelo menos 30 pessoas perderam a vida em diferentes ocorrências em cachoeiras no estado. As situações incluem escorregões, cabeças d’água, afogamentos e acidentes ao tentar tirar selfies. Em uma dessas ocorrências, três membros de uma mesma família faleceram.

Desde janeiro de 2021, a imprensa paranaense reportou ao menos 24 ocorrências fatais em cachoeiras no estado. Além do caso de Ana Paula, algumas das situações trágicas ocorreram em locais como o Salto dos Macacos, em Morretes, e a Cachoeira São Jorge, em Ponta Grossa — ambos registraram três ocorrências cada no período. Em três ocasiões registradas no levantamento, as vítimas caíram enquanto tiravam fotos ou selfies. Um exemplo foi o caso de um jovem de 23 anos, em fevereiro de 2022, que morreu na Cachoeira da Mariquinha após cair na água ao andar de costas para capturar imagens. Ele não sabia nadar, e os banhistas que tentaram resgatá-lo não tiveram sucesso devido à profundidade do local.

Entre os casos mais comuns e trágicos estão os relacionados às cabeças d’água, um fenômeno decorrente de chuvas fortes, mais frequente no verão, que provoca aumento repentino no volume e na velocidade dos rios. Foi o que aconteceu em Sapopema. Na ocasião, o nível do rio estava cerca de 40 centímetros acima do normal. A fotógrafa caiu enquanto atravessava uma corredeira com o auxílio de cordas, acompanhada de uma amiga, Ana Carolyne Camilo. Carolyne também caiu, mas conseguiu se salvar segurando-se em uma pedra a 500 metros da queda. Ela foi resgatada na manhã seguinte por um funcionário que monitorava o nível do rio. As buscas por Ana Paula continuaram até ontem, quando seu corpo foi localizado.

Esse foi o segundo caso trágico no Paraná em menos de uma semana. Na terça-feira, o pequeno João Gabriel, um menino autista de cinco anos, foi encontrado morto em um tanque de rejeitos suínos em Araucária. As investigações ainda apuram as circunstâncias do ocorrido, mas a suspeita inicial é de afogamento. O desaparecimento ocorreu no domingo, quando João informou à mãe que ia ao banheiro externo da chácara onde vivia. Ele não retornou, desencadeando buscas intensas com mais de 100 pessoas, entre policiais, bombeiros e voluntários, que resultaram na localização do corpo dois dias depois.

Segundo especialistas, as cachoeiras escondem perigos que, embora encobertos pela beleza natural, podem ser fatais. Entre os principais riscos estão pedras escorregadias, fundos de rios com limo, correntezas e as cabeças d’água. Conforme recomenda o Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), é fundamental evitar mergulhos em águas turvas, entrar no rio com os pés primeiro para verificar o fundo e jamais mergulhar de cabeça sem conhecer a profundidade. Também é crucial estar atento a pedras lisas, evitar o consumo de álcool e reconhecer os sinais de cabeças d’água, como galhos na superfície, mudanças de cor ou aumento súbito do volume do rio.

Se uma cabeça d’água for identificada, é aconselhável sair da água imediatamente e buscar um local seguro. Caso seja pego de surpresa, a orientação é manter a calma, tentar flutuar e sinalizar por socorro. Quem visualizar um incidente deve evitar salvamentos diretos sem preparo e acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193, além de lançar boias ou materiais flutuantes para auxiliar a vítima até a chegada da equipe de resgate.

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