Para conscientizar a população sobre doenças inflamatórias intestinais (DIIs), o mês de maio é marcado pela campanha Maio Roxo, promovida pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia e outras instituições. No Brasil, cerca de 0,1% da população é afetada por essas condições. A campanha destaca a importância do diagnóstico precoce e do acesso a tratamentos adequados.
A inflamação intestinal, frequentemente sem causa definida, pode ser desencadeada pelo próprio organismo do paciente. Exemplos incluem a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, que podem surgir em qualquer momento da vida, mas têm maior prevalência em adultos entre 20 e 30 anos e em idosos entre 60 e 70 anos.
Em entrevista ao programa Tarde Nacional, da Rádio Nacional Amazônia, a médica Mariane Savio, integrante da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, ressaltou a importância de identificar e distinguir sintomas com o auxílio de um especialista. “É muito importante procurar um especialista. Às vezes os sintomas podem passar batidos, e a doença progredir. Então, diarreia persistente, principalmente por mais de quatro semanas, mais de um mês, merece investigação, dor abdominal que esteja incomodando também merece uma visita ao médico, emagrecimento, anemia, tudo isso tem que ser investigado”, explica.
Diagnóstico
Após identificar sintomas de alerta, é necessário buscar um especialista para a realização de exames complementares e confirmação do diagnóstico. Segundo Mariane Savio, o principal exame é a colonoscopia, embora exames de imagem, como tomografia, ressonância magnética e ultrassom, também possam ser necessários, especialmente quando a doença afeta o intestino delgado. A especialista explicou as diferenças entre a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa: “A doença de Crohn pode acometer qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus. Então, pode causar desde aftas orais, acometimento do intestino fino, do intestino grosso e, no ânus, fístulas e fissuras. A retocolite ulcerativa pega apenas o reto e o cólon e acomete mais a mucosa, enquanto a doença de Crohn pega toda a parede do intestino.”
Embora tratamentos possam ser semelhantes para ambas as doenças, alguns medicamentos são específicos para cada condição. Segundo Mariane, o acesso ao especialista ainda é uma barreira significativa para o diagnóstico precoce. “A gente sabe que tem muitos locais com filas de mais de um ano para fazer colonoscopia, um exame que poderia dar o diagnóstico a um paciente, e que às vezes acaba perdendo o que a gente chama de ‘janela de oportunidade’. Nesse momento é que o tratamento vai ser mais eficaz, na fase inicial da doença”, afirmou.
Tratamento
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas para o tratamento de DIIs, disponibilizando medicamentos. Em casos mais graves, pode ser necessário o uso de uma bolsa de colostomia, um dispositivo médico externo que coleta fezes e gases. Com o aumento de casos no mundo, fatores de risco como estresse, dietas com alimentos ultraprocessados e tabagismo estão sendo avaliados como possíveis desencadeadores. O controle desses fatores pode reduzir o risco de desenvolvimento das doenças.
Na ausência de um especialista, a médica Mariane Savio recomenda procurar atendimento primário para garantir o diagnóstico e iniciar o tratamento o mais rápido possível, evitando complicações futuras.










