CAMPINA GRANDE DO SUL - PREFEITURA
WhatsApp
Facebook
Paraná registra segundo maior custo de vida do Brasil, revela pesquisa

Em média, o paranaense gasta R$ 4.300 por mês, um valor R$ 780 acima da média nacional. Os dados são de uma pesquisa da Serasa realizada em parceria com o instituto Opinion Box. No Brasil, a despesa média mensal é de R$ 3.520. A pesquisa foi conduzida com base em respostas coletadas entre os dias 22 de dezembro de 2025 e 6 de janeiro de 2026.

O ranking nacional é liderado pelo Distrito Federal, com custo médio mensal de R$ 4.920, seguido pelo Paraná, com R$ 4.300, e São Paulo, com R$ 4.270. Apesar de os maiores custos estarem dispersos por diferentes regiões, os principais gastos com moradia, contas recorrentes, supermercado, transporte, saúde, educação, lazer, alimentação, compras em geral e serviços pessoais se concentram no Sul do país.

Nas capitais, fechar o orçamento mensal exige, em média, 2,4 salários mínimos. Mesmo com custos elevados, mudar de cidade não é uma opção viável para a maioria dos entrevistados. No Sul, apenas 12% consideram essa possibilidade, índice menor que a média nacional.

O supermercado é a maior fonte de despesas no orçamento brasileiro, seguido por contas recorrentes, como água, luz e internet, e os gastos com moradia, que juntos comprometem aproximadamente 57% da renda mensal. No Paraná, a despesa média com supermercado é de R$ 1.210 por mês, o maior valor do país, excedendo em R$ 280 a média nacional, de R$ 930.

As contas recorrentes têm um peso médio de R$ 570 no orçamento dos paranaenses, representando o sexto maior valor do Brasil nesse quesito. O aluguel no Paraná também é um destaque negativo: com uma média de R$ 1.340 por mês, o estado registra o segundo aluguel mais caro do país.

Gastos com transporte e mobilidade somam, em média, R$ 430 mensais no Paraná, o que coloca o estado como o segundo mais caro nessa categoria. Já os custos com saúde e atividades físicas chegam, em média, a R$ 630 por mês.

Segundo Sandro Silva, supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Paraná (DIEESE-PR), a pesquisa reflete a percepção dos entrevistados sobre o custo de vida. No entanto, o impacto real desses valores no orçamento é medido por indicadores como o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que acompanha a variação efetiva dos preços.

De acordo com Cláudio Shimoyama, economista e CEO do DataCenso, há uma relação direta entre inflação e poder de compra. “O poder aquisitivo do brasileiro, de modo geral, caiu muito. A inflação corrige cerca de 4 a 5% dos salários, mas no supermercado ela está entre 10 e 15%”, analisa. Mesmo com reajustes salariais, os consumidores perdem capacidade de consumo, sobretudo em itens básicos.

Parte das pressões sobre o orçamento está vinculada ao padrão de vida. No Paraná, a média salarial é de R$ 3.151,59, segundo dados do governo do estado em 2025. “Quando se tem uma média salarial maior, há um consumo maior e o maior consumo também aumenta os preços”, explica Cláudio. Isso significa que, em determinadas circunstâncias, o aumento da renda contribui para o encarecimento dos produtos e serviços devido à maior demanda.

Outros fatores também pesam nas despesas cotidianas. Por exemplo, optar por se deslocar de carro ao trabalho pode onerar ainda mais o orçamento. Em janeiro, o IPCA acumulado da gasolina em Curitiba chegou a 6,77%, reduzindo a frequência em que o consumidor consegue abastecer e comprometendo outras despesas do mês.

O preço dos aluguéis segue a mesma lógica de oferta e demanda. Em bairros com melhor localização ou maior procura, os valores tendem a subir pela concorrência entre interessados.

No que diz respeito às compras de supermercado, as condições climáticas são outro fator relevante. Segundo Cláudio Shimoyama, a oscilação entre secas e chuvas intensas afeta diretamente a produção agrícola. “As condições climáticas influenciam a produção de alimento para cima ou para baixo, uma hora chove demais e na outra é seca. Isso aumenta o processo para o agricultor porque esse preço varia”, pontua o economista.

Essas variações na produção impactam a produtividade e elevam os custos ao produtor, resultando em repasses ao consumidor final. Além disso, a desvalorização do real frente ao dólar encarece insumos agrícolas e produtos importados, enquanto as altas taxas de crédito elevam o endividamento das famílias.

De acordo com Cláudio, o cenário de custos elevados deve persistir nos próximos meses, e as mudanças dependerão, em grande parte, do contexto político. “A política ajuda na mesma proporção que atrapalha”, resume. Enquanto prevalecerem as incertezas e a polarização política, o orçamento das famílias continuará sensível a decisões internas e externas, como taxações impostas pelos Estados Unidos e novos acordos comerciais.

Até que um cenário de maior estabilidade econômica se concretize, os consumidores deverão fazer escolhas mais cautelosas em seus gastos para lidar com as constantes oscilações de preços.

WhatsApp
Facebook

Publicações relacionadas

SIGATEL
Compartilhe
WhatsApp
Facebook