O ator vencedor do Oscar Robert Duvall, renomado por papéis em “O Poderoso Chefão” e “Apocalypse Now”, faleceu aos 95 anos. Duvall morreu “pacificamente” em sua casa em Middleburg, Virgínia, no último domingo (15), conforme informou sua assessoria de imprensa em comunicado feito em nome de sua esposa, Luciana.
Duvall interpretou o conselheiro da família Corleone, Tom Hagen, em “O Poderoso Chefão” (1972), de Francis Ford Coppola, conquistando sua primeira de sete indicações ao Oscar. Ele reprisou o papel em “O Poderoso Chefão Parte II” (1974), mas não participou da terceira sequência devido a uma disputa salarial. “Foi uma questão de princípio”, declarou Duvall, explicando que Al Pacino receberia cinco vezes mais do que lhe foi oferecido. “Todo mundo fez isso por dinheiro”, disse, enfatizando o descontentamento com o acordo.
Nascido em San Diego, Califórnia, Duvall era filho de um oficial da Marinha. Ele frequentou o Principia College em Illinois e serviu no exército durante a Guerra da Coreia antes de se mudar para Nova York, onde aprendeu teatro com Sanford Meisner. Ele dividiu um apartamento com Dustin Hoffman e conviveu com Gene Hackman, que também alcançaria grande sucesso na atuação. Duvall estreou no cinema como Arthur “Boo” Radley em “O Sol é Para Todos” (1962). Curiosamente, ele deu o nome “Boo” a um de seus cães.
Ao longo de sua carreira, Duvall desempenhou papéis memoráveis, como o vilão ao lado de John Wayne em “Bravura Indômita” e o Major Frank Burns em “M.A.S.H”. Ele estrelou “THX 1138” (1971), dirigido por George Lucas, que o apresentou com a cabeça raspada. No ano seguinte, “O Poderoso Chefão” impulsionou sua carreira, consolidando-o como um dos grandes nomes de Hollywood.
Duvall trabalhou intensamente em produções de cinema e televisão. Ele interpretou um executivo na aclamada sátira “Rede de Intrigas” e estrelou minisséries como “Os Pistoleiros do Oeste”. Ele venceu o Oscar de Melhor Ator por seu papel como cantor country em “A Força do Carinho” (1983), no qual também atuou como cantor. Duvall recebeu outras indicações por “O Grande Santini” e “Apocalypse Now”, proferindo neste último a icônica frase: “Eu adoro o cheiro de napalm pela manhã”.
Duvall também se destacou em faroestes como “Pacto de Justiça” e venceu um Emmy por seu trabalho na minissérie “Rastro Perdido”. Como cineasta, escreveu, dirigiu e estrelou “O Apóstolo” (1997), que lhe rendeu uma indicação ao Oscar. Ele também dirigiu “O Tango e o Assassino” e “Cavalos Selvagens”. Duvall permaneceu ativo até a década de 2010, recebendo uma indicação ao Oscar aos 84 anos por “O Juiz” (2014) e atuando em filmes como “Jack Reacher” e “Viúvas”.
Durante sua trajetória, Duvall encarnou figuras históricas como Robert E. Lee (“Deuses e Generais”), Joseph Stalin (“Stalin”) e Adolf Eichmann (“O Homem Que Capturou Eichmann”). Casado quatro vezes, seu último matrimônio foi com a atriz argentina Luciana Pedraza, 41 anos mais jovem, em 2004. Ele foi um defensor público de candidatos republicanos, participando de eventos como a posse de George W. Bush e arrecadando fundos para Mitt Romney. Em 2004, recebeu a Medalha Nacional das Artes do governo Bush.
Por fim, sua família comunicou que não haverá cerimônia formal. Eles convidaram admiradores a homenagearem sua memória assistindo a filmes, compartilhando histórias ou apreciando passeios pelo campo, gestos que refletem o espírito de sua vida.









