A Secretaria da Segurança Pública do Paraná (SESP) intensificou as ações do programa Mulher Segura no mês de março, promovendo palestras e distribuindo material informativo para combater a violência doméstica e o feminicídio. Neste sábado (14), haverá mobilizações em Curitiba e cidades como São José dos Pinhais, Colombo, Paranaguá, Londrina, Maringá, Paranavaí, Ponta Grossa, Cascavel, Foz do Iguaçu e Francisco Beltrão, levando conscientização sobre diferentes formas de violência contra a mulher: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.
A violência física, geralmente mais discutida, envolve agressões como empurrões, tapas ou puxões de cabelo. No entanto, outros tipos de violência também são recorrentes. A violência psicológica, por exemplo, ocorre quando o agressor busca diminuir a autoestima da mulher, ameaçá-la ou constrangê-la. O tenente-coronel da Polícia Militar do Paraná (PMPR), Cleverson Rodrigues Machado, coordenador do programa Mulher Segura, destaca que esse tipo de violência muitas vezes é negligenciado. “Ela relatou que ele depreciava seu corpo e sua inteligência. Viveu com ele por 20 anos e, até hoje, quando o vê na rua se esconde. Casos como esse mostram que a violência psicológica é tão grave quanto a física, mas acaba passando despercebida pela sociedade porque apesar de deixar marcas, elas não são visíveis”, afirmou com relação a um relato recente.
Já a violência sexual abrange qualquer ato sem consentimento ou a imposição de impedir o uso de métodos contraceptivos. Outras formas comuns de violência incluem a patrimonial, quando o agressor controla ou destrói bens, dinheiro ou documentos, e a moral, manifestada por ofensas, xingamentos, humilhações ou acusações públicas. Segundo Machado, identificar essas formas de violência é fundamental. “É muito importante as mulheres saberem que existem estes tipos de violência, não para poder tipificar, mas pra entender que também é violência e que ela pode se livrar daquilo”, afirmou.
Outro tema abordado nas ações do programa é o ciclo da violência, que explica por que muitas mulheres continuam em relacionamentos abusivos. Esse processo envolve três fases: aumento da tensão, atos de violência e a chamada “lua de mel”, na qual o agressor promete mudar e se mostra arrependido. Para Machado, a decisão de romper com o ciclo depende da vítima. “Quem vai saber o momento de maturação desta situação é só a própria pessoa que está sofrendo a violência. Como agentes de segurança pública não podemos julgar esta mulher que sofre violência. Devemos continuar mostrando que nos importamos com ela e que estamos ali para ajudar”, explicou.
Ele citou um caso recente no litoral do estado, em que uma vítima inicialmente optou por não denunciar o companheiro durante a fase da “lua de mel”, mas decidiu romper o ciclo após novos episódios de agressão, levando à prisão do agressor. “Acredito que o trabalho que estamos fazendo com o Mulher Segura pode sim salvar vidas”, comentou Machado.
Na mobilização deste sábado (14), representantes da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Polícia Científica e do Corpo de Bombeiros estarão presentes em diferentes praças das cidades participantes para discutir a temática. Informações sobre locais e horários podem ser encontradas nas redes sociais da SESP.
O programa Mulher Segura, criado em 2023, atua em todos os municípios do Paraná com ações para prevenir a violência doméstica e o feminicídio. As iniciativas incluem palestras, campanhas educativas e atividades destinadas a mulheres, homens e adolescentes. Desde sua criação, o programa já impactou cerca de 224 mil pessoas no estado e qualificou mais de 1,4 mil policiais e bombeiros para disseminar informações sobre os direitos das mulheres e a rede de proteção disponível.
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados através do telefone 190 da Polícia Militar, do 197 da Polícia Civil ou de forma anônima pelo Disque Denúncia 181, disponível 24 horas por dia em todo o estado.









