Paraná amplia uso de teste de DNA-HPV no rastreamento do câncer do colo do útero
O teste de DNA-HPV, exame molecular que passa a ocupar o lugar do Papanicolau no rastreamento do câncer do colo do útero, já é usado em 46 municípios do Paraná. Outras 210 cidades estão em implantação, e a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) prevê chegar a 256 municípios até o fim de 2026. Os dados foram divulgados na quinta-feira (29), junto com o lançamento de um painel online que acompanha a mudança, segundo a Agência Estadual de Notícias.
O que muda para a mulher
O novo teste procura, por PCR, o material genético dos tipos de HPV de alto risco, o vírus ligado ao câncer do colo do útero. Com isso, a infecção pode ser identificada antes de surgirem lesões precursoras. Segundo a Sesa, o exame oferece entre 60% e 70% mais proteção contra o câncer invasivo do que a citologia, o exame tradicional.
Quando o vírus não é detectado, o próximo teste só é recomendado em cinco anos. A tecnologia é nacional e foi desenvolvida pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP).
A mudança segue as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer de Colo do Útero de 2025. Até a transição terminar, o Papanicolau continua disponível na rede pública.
Quem pode fazer
O exame é gratuito pelo SUS para mulheres e outras pessoas com colo do útero, entre 25 e 64 anos, que já tiveram relação sexual. A Sesa inclui homens trans, pessoas não binárias e pessoas intersexo que tenham colo do útero.
A convocação segue uma ordem de prioridade, definida pelo protocolo estadual de rastreamento organizado:
- Primeiro grupo: pessoas de 30 a 49 anos que nunca fizeram o exame ou estão há mais de três anos sem acompanhamento.
- Segundo grupo: pessoas de 50 a 64 anos com exame em atraso.
- Depois: os demais públicos previstos no protocolo.
No rastreamento organizado, os serviços de saúde identificam, convidam e acompanham a população, em vez de esperar apenas a procura espontânea.
Como acompanhar pelo painel
O Painel de Rastreamento do Câncer do Colo do Útero (Teste DNA-HPV) fica na página de Prevenção e Controle de Doenças Crônicas e Tabagismo, no site da Sesa. Ele mostra exames realizados, locais de coleta, taxas de detecção e resultados por região, município e unidade, com dados separados para HPV 16, HPV 18 e outros tipos de alto risco.
A Sesa não divulgou, na nota, a lista dos 46 municípios que já usam o teste. Quem mora na Região Metropolitana de Curitiba deve consultar o painel ou perguntar na unidade básica de saúde do bairro se a coleta do DNA-HPV já está disponível.
Para o município aparecer no painel e receber mais kits de coleta, as amostras precisam ser registradas corretamente no Siscan e no Gerenciador de Ambiente Laboratorial (GAL).
O secretário de Estado da Saúde, César Neves, classificou o exame como “uma grande conquista”, de “maior sensibilidade e acurácia na detecção precoce do câncer do colo uterino”. A diretora de Atenção e Vigilância em Saúde, Maria Goretti David Lopes, afirmou que “o diagnóstico precoce salva vidas”.
Serviço
- Exame: teste molecular de DNA-HPV, gratuito pelo SUS
- Público: pessoas com colo do útero, de 25 a 64 anos, que já tiveram relação sexual
- Intervalo: cinco anos, se o vírus não for detectado
- Onde: unidades de saúde dos municípios com o teste implantado (46 hoje, meta de 256 até o fim de 2026)
- Painel: site da Sesa, página de Prevenção e Controle de Doenças Crônicas e Tabagismo


