De janeiro a julho deste ano, 640.823 crianças tiveram o estado nutricional avaliado nas Unidades Básicas de Saúde, que são a porta de entrada para o atendimento pelo SUS e desempenham um papel crucial no cuidado, na promoção da saúde e na prevenção da obesidade infantil. O Governo do Estado incentiva a alimentação saudável e a adoção de ações preventivas.
A Secretaria da Saúde (Sesa), do Governo do Estado, monitora e atua na prevenção e cuidado da obesidade infantil, condição que afeta muitas crianças no mundo e no Paraná. Segundo a Organização Mundial da Saúde, esse é um dos principais desafios do século XXI.
A obesidade é causada por uma combinação de fatores genéticos, comportamentais, individuais e, principalmente, ambientais, que abrangem diversos contextos, como familiar, comunitário, escolar, social e político. Entre os fatores associados estão a ausência ou pouca duração do aleitamento materno, o consumo excessivo de ultraprocessados, a inatividade física, o aumento do comportamento sedentário e o sono inadequado.
Nos primeiros sete meses deste ano, 640.823 crianças tiveram seu estado nutricional avaliado nos municípios do Paraná. Entre aquelas de até 5 anos, o excesso de peso foi registrado em 14,2% e a obesidade em 5,6%. Já entre as crianças de 5 a 10 anos, o excesso de peso foi identificado em 35%, enquanto a obesidade afetou 17,4%.
Analisando anos anteriores, a média de crianças de até 5 anos com excesso de peso foi de 13,8%, enquanto 6% apresentavam obesidade. Na faixa de 5 a 10 anos, 33,1% foram diagnosticadas com excesso de peso e 16,5% com obesidade.
A Atenção Primária à Saúde (APS) tem um papel central na prevenção e cuidado da obesidade infantil, realizando uma avaliação contínua do estado nutricional e garantindo atenção integral às crianças diagnosticadas com sobrepeso ou obesidade. “O Governo do Estado assume esse compromisso, acompanhando os indicadores, incentivando a alimentação saudável com ações ampliadas de prevenção e criando oportunidades para que as crianças tenham mais qualidade de vida e um futuro com mais saúde”, afirma o secretário estadual da Saúde, Beto Preto.
A prevenção e o cuidado da obesidade devem ser planejados desde a gestação até a vida adulta, incluindo a promoção de uma alimentação balanceada, práticas corporais e atividade física, além da orientação sobre hábitos de vida saudáveis.
CONSEQUÊNCIAS À SAÚDE – A obesidade infantil está ligada a um maior risco de morte precoce, continuidade do problema na vida adulta e possíveis incapacidades. Durante a infância e adolescência, pode causar sérios prejuízos, como dificuldades respiratórias, maior predisposição a fraturas, hipertensão arterial, sinais precoces de doenças cardiovasculares, resistência à insulina e até certos tipos de câncer. A saúde mental também é afetada pela condição, levando a baixa autoestima, isolamento social e transtornos alimentares.
“Devemos priorizar para as crianças uma alimentação saudável, sempre aliando com brincadeiras ativas. Dieta restritiva prejudica o crescimento e o desenvolvimento da criança. Além de aumentar a fome, reduz o metabolismo e pode fazer com que a criança perca a noção de fome e saciedade”, alerta a nutricionista Cristina Klobukoski, da Divisão de Promoção da Alimentação Saudável e Atividade Física da Sesa.
Cristina reforça ainda que os familiares desempenham um papel essencial no cuidado das crianças com obesidade. “São peças-chave para moldar padrões comportamentais relacionados à obesidade, como hábitos alimentares, atividade física e comportamento sedentário e de sono, por meio de seus próprios comportamentos, além de propiciar um ambiente domiciliar com alimentos saudáveis”.
Confira dicas da Saúde para prevenir a obesidade infantil:
– Evite deixar alimentos ultraprocessados ao alcance das crianças, como salgadinhos, bolachas recheadas, fast-food e bebidas açucaradas.
– Ofereça frutas, verduras, legumes, cereais integrais e água como opções de rotina.
– Limite o uso de televisão, celular, videogames e computadores.
– Prefira atividades que envolvam movimento e interação social.
– Apoie a participação em esportes, aulas de dança, natação ou outras atividades extracurriculares.
– Promova brincadeiras ao ar livre, como andar de bicicleta, correr, pular corda ou jogar bola.
– Crianças aprendem pelo exemplo. Quando a família adota hábitos saudáveis, elas tendem a seguir o mesmo caminho.
– Compartilhar refeições em família fortalece vínculos e incentiva melhores escolhas alimentares.







