Morreu nesta terça-feira (24), aos 82 anos, a ex-deputada Arlete Caramês. Ela faleceu sem descobrir o paradeiro do filho, Guilherme, desaparecido em 1991, aos 8 anos. Transformando essa tragédia pessoal em propósito, Arlete dedicou a vida à causa de crianças desaparecidas, tornando-se fundadora do Movimento Nacional da Criança Desaparecida do Paraná (CriDesPar) e parlamentar. A família não divulgou informações sobre o velório e o sepultamento.
O desaparecimento de Guilherme Caramês Tibúrcio continua a comover o país. O menino desapareceu em Curitiba em 1991, após sair para andar de bicicleta e nunca mais ter sido visto.
Repercussão da morte de Arlete Caramês
“Arlete Caramês transformou a pior dor que uma mãe pode sentir em propósito de vida. Após o desaparecimento do seu filho Guilherme, dedicou cada dia da sua história a lutar por outras famílias, a dar voz a quem sofre em silêncio e a não deixar que essas histórias fossem esquecidas. Tive a honra de caminhar ao seu lado no . Vi de perto sua força, sua coragem e sua fé inabalável. Arlete não desistia. Arlete não se calava. Arlete lutava, todos os dias. Sua atuação ultrapassou causas e cargos. Seja como fundadora do CriDesPar, vereadora ou deputada estadual, ela sempre teve um único compromisso: proteger vidas e buscar respostas”, escreveu em postagem a vereadora Sargento Tania Guerreiro (Pode).
A Câmara Municipal de Curitiba também lamentou a morte de Arlete Caramês. “Arlete Caramês foi uma mulher inspiradora, que nos deixou um grande legado. Após um evento traumático, transformou-se em ativista e, também por meio da política, conseguiu avanços efetivos na proteção das crianças e dos adolescentes. Nossos sentimentos aos amigos e aos familiares”, declarou o presidente da CMC, vereador Tico Kuzma (PSD).
A história de Arlete Caramês
Arlete Caramês nasceu em Porto União (SC), em 15 de setembro de 1943, filha de Amâncio Caramês e Sueli Caramês. Casada com Ewaldo Oscar Tiburtius, teve um único filho, Guilherme. Após o desaparecimento do menino, em 1991, ela deixou sua carreira de bancária para se dedicar à causa dos desaparecidos. Fundou, em 1992, o Movimento Nacional da Criança Desaparecida do Paraná (CriDesPar), uma ONG voltada à busca de crianças desaparecidas, que ganhou reconhecimento nacional.
Em 1998, concorreu ao cargo de deputada federal, obtendo 30.226 votos, mas não conseguiu se eleger. Dois anos depois, foi eleita vereadora de Curitiba com 14.160 votos. Durante o mandato na Câmara Municipal, Arlete participou de importantes comissões, como a de Constituição e Justiça e a de Serviço Público. Entre seus feitos, propôs a inclusão da Semana de Prevenção Contra Desaparecimentos de Crianças e Adolescentes no calendário da cidade, além de criar leis voltadas à acessibilidade em caixas eletrônicos.
Outras propostas relevantes que apresentou, mas que não foram aprovadas, incluem a divulgação de informações sobre desaparecidos no site da Prefeitura de Curitiba, a exigência de carteira de identidade na matrícula escolar e a criação de fichas de identificação de crianças em hotéis. Em 2002, Arlete interrompeu o mandato de vereadora ao assumir uma vaga na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
Seu ativismo foi crucial para a implementação, em 1995, do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas do Paraná (Sicride), pioneiro no Brasil na exclusividade em casos de desaparecimento de crianças e adolescentes, e ainda em funcionamento. Entre outras conquistas, Arlete teve papel ativo na criação da Lei 11.259/2005, que modificou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), obrigando a realização de buscas imediatas após o desaparecimento de menores de idade. A legislação ainda determina que o caso seja comunicado a portos, aeroportos, Polícia Rodoviária e companhias de transporte interestaduais e internacionais, garantindo a ampla difusão das informações do desaparecido.









