CAMPINA GRANDE DO SUL - PREFEITURA
WhatsApp
Facebook
Eclipse lunar nesta terça-feira (03) terá visibilidade limitada no Brasil; conheça detalhes do fenômeno

Um novo eclipse lunar está previsto para o dia 3 de março, mas o Brasil não estará entre os melhores lugares para observar o fenômeno completo da chamada Lua de sangue. O alinhamento entre Sol, Terra e Lua gera o espetáculo celestial. “A Terra se coloca entre o Sol e a Lua. Então a Lua fica atrás da sombra que a Terra projeta. É um alinhamento desses três corpos”, explica Thiago Signorini Gonçalves, astrônomo e diretor do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Segundo o especialista, durante o eclipse parcial, vemos a sombra da Terra avançando sobre o disco lunar, provocando a impressão de “uma mordida” escurecendo a Lua cheia. No eclipse total, ocorre o fenômeno mais aguardado: “Quando ela está perfeitamente alinhada, a luz do Sol não consegue mais chegar diretamente à superfície da Lua. Mas atravessa a atmosfera da Terra antes de chegar lá. Só a parte vermelha da luz consegue passar, enquanto a azul é espalhada. Por isso a Lua fica avermelhada, como no pôr do sol”, esclarece o astrônomo. Ele também afirma que o apelido Lua de sangue é, na verdade, uma expressão de impacto popular, mas descreve bem o efeito visual da filtragem atmosférica.

A maior parte do território brasileiro, no entanto, não terá boas condições de observação. “Infelizmente, na maior parte do Brasil a gente só vai ver o eclipse penumbral, que é um leve escurecimento da Lua cheia e que é um efeito difícil de perceber”, comenta Thiago. Em cidades como São Paulo e Brasília, o fenômeno ocorrerá perto das 6h da manhã, com a Lua já muito baixa no horizonte oeste, o que dificulta a observação. As condições melhoram no Acre, Rondônia e no oeste do Amazonas, onde será possível acompanhar parte do eclipse parcial. “No Acre, por volta das 5h da manhã, já começa a ser possível perceber a sombra avançando. O máximo do encobrimento ocorre perto das 5h45, quando quase toda a Lua estará coberta”, explica Thiago. Ele ressalta que regiões como o Pacífico, Nova Zelândia e ilhas como Fiji serão os locais de melhor observação do eclipse total.

A astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, detalha que um eclipse total da Lua é composto por cinco etapas: penumbral, parcial, total, parcial novamente e penumbral final. “O eclipse penumbral ocorre quando a Lua entra na sombra mais clara da Terra. Nessa fase, quase não percebemos diferença no brilho. Depois, quando começa a entrar na sombra escura, tem início o eclipse parcial, quando vemos a Lua ficando cada vez mais escura, em formato de mordidinha”, explica a astrônoma. O eclipse total ocorre quando a Lua está completamente imersa na umbra — a porção mais escura da sombra terrestre. Entretanto, Josina reforça que os brasileiros só poderão acompanhar as fases iniciais: “Quando a Lua estiver totalmente eclipsada, ela já estará abaixo do horizonte para nós. O Brasil não vai ver o eclipse total.”

Cronograma (horário de Brasília):
– 5h44 – início do eclipse penumbral
– 6h50 – início do eclipse parcial
– 8h04 às 9h02 – fase total (não visível no Brasil)

A visibilidade do eclipse no Brasil dependerá da localização. Quanto mais a oeste, maior será a porcentagem de obscurecimento. No extremo oeste do país, o encobrimento poderá alcançar 96%, muito próximo da totalidade, embora ainda seja classificado como parcial. Josina Nascimento lembra que eclipses lunares são relativamente frequentes no Brasil, mas será necessário esperar para observar um eclipse total em condições ideais. “Somente na noite de 25 para 26 de junho de 2029 o Brasil terá um eclipse total da Lua com todas as fases visíveis em todo o país”, destaca a astrônoma. Antes disso, em 2026, haverá um eclipse parcial significativo (93% de magnitude), visível na noite de 27 para 28 de agosto. Em 2027, os três eclipses previstos serão apenas penumbrais, enquanto em 2028 ocorrerão eclipses parciais, mas nenhum totalmente visível no Brasil.

WhatsApp
Facebook

Publicações relacionadas

SIGATEL
Compartilhe
WhatsApp
Facebook