Mais de 132 mil paranaenses têm diagnóstico positivo para o Transtorno do Espectro Autista (TEA). O TEA é um distúrbio do neurodesenvolvimento que afeta a forma como a pessoa se comunica, interage socialmente e percebe o mundo. A condição é permanente e se manifesta de formas diferentes em cada indivíduo.
Abril é marcado pela campanha global de conscientização sobre o autismo. O Abril Azul busca informar a sociedade, combater o preconceito e promover a inclusão. No Brasil, segundo dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE em 2025, há 2,4 milhões de pessoas autistas. Esse número equivale a 1,2% da população nacional. A condição tem maior prevalência entre homens (1,5%) do que em mulheres (0,9%) e se concentra principalmente na faixa etária de cinco a nove anos (2,6%).
O diagnóstico de TEA ainda exige avaliação clínica multidisciplinar e observação comportamental, tornando o processo de identificação mais lento e desigual. Há também disparidades regionais e socioeconômicas: famílias com menos acesso a especialistas frequentemente enfrentam longas esperas e diagnósticos tardios. De acordo com a psicóloga Julia Amed, da Genial Care, “o diagnóstico tardio atrasa intervenções terapêuticas essenciais”, o que implica em prejuízos emocionais para os pacientes.
Estudos indicam que 50% das pessoas com TEA não têm acesso a suporte adequado. Além disso, há uma alta incidência de comorbidades: cerca de 49% das pessoas no espectro apresentam outras condições associadas. “Os desafios vão além do diagnóstico”, ressalta Julia. Ela enfatiza a necessidade de políticas públicas que promovam igualdade de oportunidades para pessoas autistas.
Globalmente, a prevalência do TEA aumentou consideravelmente, passando de 1 em 400 pessoas nos anos 1990 para 1 em 100 nas últimas décadas. O Abril Azul reforça a mensagem de que o autismo não é uma doença a ser curada, mas uma condição que precisa ser compreendida e respeitada pela sociedade.









