O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) analisou os dados consolidados da temporada de verão 2024/2025 para traçar o perfil predominante das vítimas de afogamento no Litoral do Estado, destacar os riscos e reforçar a necessidade de medidas preventivas em ambientes aquáticos. Apesar da ampla estrutura de salvamento, os números mostram que o risco persiste quando orientações básicas não são seguidas.
O perfil das vítimas indica que a maioria é homem, jovem ou adolescente, turista com pouca familiaridade com o local, baixa habilidade de natação e que, frequentemente, entra na água no período da tarde, fora de áreas protegidas por guarda-vidas. A principal causa dos afogamentos foi a corrente de retorno. Durante a temporada passada, no Litoral, foram registrados 1.270 salvamentos, sendo 1.173 resgates (incidentes sem afogamento) e 97 afogamentos. Desses, 19 resultaram em óbito, todos fora das áreas protegidas ou fora do horário de atuação dos guarda-vidas.
Os dados mostram que 62,89% das vítimas eram homens, mais de 60% tinham até 22 anos, e 95% eram turistas – a maioria vinda de Curitiba e outras cidades do Paraná, seguidos por turistas de outros estados. Além disso, 51% das vítimas não sabiam nadar, e apenas três delas eram nadadores experientes. O tenente-coronel Fabrício Frazatto dos Santos, comandante do 8º Batalhão de Bombeiros no Litoral, reforça: “O recado mais importante é que a população procure nadar sempre em áreas protegidas por guarda-vidas. No ano passado, não tivemos nenhum óbito em locais protegidos, e isso mostra que a prevenção funciona.”
No âmbito da prevenção, o CBMPR intensificou as ações educativas. Na temporada passada, foram realizadas 313.409 atividades preventivas, incluindo orientações diretas a banhistas e campanhas de educação. Somente na atual temporada, de 19 de dezembro de 2025 até 4 de janeiro, já foram executadas 107.187 ações preventivas. Ainda assim, ocorreram sete óbitos por afogamento, todos também fora de áreas protegidas ou fora do horário de atuação dos guarda-vidas. “As medidas educativas são fundamentais. Os dados mostram que, quando a população busca locais protegidos e respeita as orientações, as chances de uma ocorrência fatal caem drasticamente”, afirmou o tenente-coronel Frazatto.
Outro dado relevante levantado pelo CBMPR revela a relação entre escolaridade e risco de afogamento. Entre as vítimas, 59,80% tinham escolaridade até o ensino médio, enquanto apenas 7,21% possuíam ensino superior completo. Segundo a corporação, isso evidencia que o conhecimento e o acesso às informações de segurança impactam diretamente na prevenção de acidentes. “Quando a pessoa conhece os riscos, entende a sinalização da praia e segue as recomendações dos guarda-vidas, as chances de um desfecho grave diminuem consideravelmente”, explica o oficial.
Nesta temporada, o CBMPR opera com a maior estrutura já registrada no programa Verão Maior Paraná. São 669 bombeiros militares e 362 guarda-vidas civis, totalizando 133 postos ativos, dos quais 110 estão na Costa Leste, nove na Costa Oeste e 14 na Costa Noroeste. A operação inclui suporte do helicóptero Arcanjo 01, drones, motos aquáticas, embarcações, UTVs e bicicletas elétricas para ampliar a cobertura em praias, rios e balneários. No Litoral, especificamente, atuam diariamente 607 bombeiros militares e 292 guarda-vidas civis.
O Corpo de Bombeiros também reforça orientações aos banhistas para evitar afogamentos, como:
• Apenas entrar na água em locais e horários protegidos por guarda-vidas;
• Respeitar a sinalização das bandeiras;
• Manter crianças sob supervisão direta de um adulto;
• Evitar entrar na água após consumir bebida alcoólica;
• Subestimar sua capacidade de natação, permanecendo em áreas rasas;
• Evitar permanecer na água em caso de mudanças no clima ou alertas meteorológicos;
• Em situações de risco, procurar um guarda-vidas ou acionar o número 193.
Com essas medidas, a corporação busca reduzir ainda mais os incidentes e garantir maior segurança para turistas e moradores no Litoral do Paraná.







