Martonio Alves Batista, de 55 anos, foi preso sob suspeita de ter assassinado Giovanna dos Reis Costa, de nove anos, em abril de 2006, em Quatro Barras, no Paraná. Ele foi localizado na manhã desta quinta-feira (19), na cidade de Londrina, onde morava ao lado da pastelaria em que trabalhava.
O caso voltou a ser investigado após uma mulher procurar a polícia relatando ter sido vítima de abuso entre 2007 e 2010, quando era enteada do suspeito. Segundo relato da delegada Camila Cecconello, Martonio Alves Batista ameaçava a garota, dizendo que faria com ela o mesmo que havia feito com Giovanna caso ela revelasse os abusos. As informações levaram a Polícia Civil a solicitar o desarquivamento do inquérito na Justiça.
Com a reabertura da investigação, os novos depoimentos foram confrontados com provas materiais colhidas na época do crime. Um dos principais elementos apontados pela polícia foi o laudo pericial que revelou que o fio elétrico usado para amarrar as mãos da vítima tinha a mesma marca e tipo de um fio encontrado na casa do suspeito, onde havia um cachorro preso.
Na época, a esposa de Martonio afirmou à polícia que ele estava sozinho no dia do desaparecimento de Giovanna. Ainda de acordo com as investigações, o colchão do casal apresentava uma mancha de urina, mas o objeto foi destruído posteriormente, impossibilitando provas mais conclusivas. A calcinha de Giovanna, encontrada na cena do crime, também apresentava vestígios de urina, mas não foi possível realizar exames comparativos por falta de material suficiente.
Para a delegada, “a conjugação dos novos depoimentos com as evidências materiais coletadas em 2006 constitui um conjunto probatório robusto”, suficiente para embasar o pedido de prisão preventiva do suspeito. Durante a abordagem, Martonio não reagiu, mas teria tentado se desfazer do celular, arremessando-o para o telhado. O aparelho foi apreendido para perícia, assim como outros objetos recolhidos em sua residência.
Martonio Alves Batista responderá por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e estupro de vulnerável. A Polícia Civil tem 10 dias para concluir o inquérito e encaminhá-lo ao Ministério Público. Caso as acusações sejam confirmadas, o julgamento pode ser levado a júri popular.
O crime contra Giovanna dos Reis Costa gerou ampla comoção no Estado do Paraná. A garota desapareceu em abril de 2006, na véspera da Semana Santa, ao sair de casa para vender rifas de Páscoa em uma campanha escolar no Jardim Patrícia, em Quatro Barras. Seu corpo foi encontrado dois dias depois, em um matagal da mesma cidade, dentro de um saco de lixo, com sinais de estrangulamento e violência sexual. Suas roupas foram localizadas em um terreno baldio próximo.
Em 2007, as investigações apontaram erroneamente para um grupo de ciganos, acusados de matar Giovanna em um suposto ritual. Os três suspeitos foram absolvidos em 2012, após um julgamento que destacou falhas na investigação e falta de provas consistentes. Desde então, o caso permanecia sem solução até a retomada das investigações e a prisão do novo suspeito.









