O uso cada vez mais comum das chamadas “canetas emagrecedoras” provocou um alerta das autoridades sanitárias. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou um comunicado alertando sobre os riscos do uso inadequado do medicamento, que pode causar efeitos graves como pancreatite aguda. Entre 2020 e dezembro de 2025, o Brasil registrou 145 casos suspeitos de pancreatite associados a esses remédios, incluindo seis óbitos.
Apesar de os riscos já constarem nas bulas aprovadas, a Anvisa destaca que o uso indiscriminado, principalmente para emagrecimento sem necessidade clínica, aumenta as chances de complicações graves e dificulta o diagnóstico. A pancreatite aguda, que é uma inflamação no pâncreas, pode evoluir para formas mais severas e até ser fatal.
De acordo com a agência reguladora do Reino Unido, a Medicines and Healthcare products Regulatory Agency (MHRA), entre 2007 e outubro de 2025, foram relatados 1.296 casos de pancreatite relacionados a essas medicações, incluindo 19 mortes. Outros efeitos adversos comuns incluem náuseas, vômitos, dor abdominal, constipação, diarreia, sensação de estufamento, possibilidade de doenças biliares e maior risco de problemas pancreáticos em pessoas predispostas.
Ainda assim, a Anvisa reforça que a relação risco-benefício desses medicamentos permanece positiva quando usados conforme prescrição médica e orientação profissional. Seguir as recomendações da bula garante que os benefícios terapêuticos superem os riscos.
A endocrinologista Elizandra Nasser de Almeida, da Paraná Clínicas, explica que esses medicamentos foram desenvolvidos para tratamentos contínuos, como obesidade e diabetes tipo 2. “Os efeitos mais comuns são gastrointestinais, como náusea e constipação, especialmente no início do tratamento. Em uso prolongado, quando bem indicados e acompanhados, apresentam bom perfil de segurança”, afirma.
Ela alerta, no entanto, para riscos como pancreatite e doenças biliares em pessoas com predisposição. Além disso, o uso inadequado do medicamento, sem orientação técnica, pode levar à perda de massa muscular se não for acompanhado por uma dieta balanceada e exercícios físicos. “A segurança depende da indicação correta e do acompanhamento médico, não apenas do tempo de uso”, enfatiza.
Outro fator preocupante é a venda de versões manipuladas ou sem procedência confiável. A Anvisa destaca que medicamentos falsificados não apenas são ilegais, mas também representam um risco grave à saúde. “Produtos sem procedência podem ter doses imprecisas, estar contaminados ou conter substâncias incorretas”, alerta Elizandra. “Sem controle rigoroso, não há garantias de eficácia nem de segurança.”
Os medicamentos baseados em agonistas de GLP-1 ajudam no controle do apetite e do metabolismo da glicose, mas o acompanhamento profissional é considerado indispensável. “O acompanhamento é fundamental para confirmar a indicação, ajustar doses, monitorar efeitos adversos e garantir a integração de alimentação e exercícios ao tratamento”, explica a endocrinologista.
Para Elizandra, o problema não está no remédio, mas no uso indevido e sem avaliação clínica. “Quando utilizados com indicação médica e supervisão adequada, esses medicamentos podem trazer benefícios significativos. O risco, no entanto, aumenta com o uso irresponsável ou de produtos de procedência duvidosa”, conclui.
O alerta das agências reguladoras reforça que o emagrecimento seguro envolve mais do que uma aplicação semanal, exigindo um plano terapêutico estruturado e o acompanhamento integral por profissionais de saúde.









