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Número de jovens que não estudam nem trabalham cai no Brasil, aponta OCDE

A taxa de jovens brasileiros que não estudam, não trabalham nem estão em treinamento ou formação caiu 4,4 pontos percentuais entre 2016 e 2024, conforme aponta o relatório Panorama da Educação 2026 (Education at a Glance), divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O índice de pessoas de 18 a 24 anos nessa situação passou de 26,8%, em 2016, para 22,4%, em 2024.

Em nota, o Ministério da Educação (MEC) afirma que a redução no Brasil é “quase o dobro da redução média (2,3 pontos) registrada pela OCDE no mesmo período.” No entanto, o superintendente executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, avalia que, apesar dos avanços, o cenário ainda é crítico, pois mais de um quarto dos jovens adultos não têm a educação básica concluída. “A tarefa é construir uma trajetória em que o jovem consiga permanecer, aprender, concluir a formação e encontrar uma inserção profissional digna. Isso depende de educação, proteção social e políticas de trabalho atuando de forma articulada”, ressalta.

Outro dado positivo apresentado no estudo é a redução da proporção de jovens de 25 a 34 anos sem ensino médio, que caiu de 35%, em 2016, para 26%, em 2024. Apesar disso, o percentual brasileiro continua acima da média de 12% observada nos demais países analisados pela OCDE. O MEC atribui os avanços à implementação de programas como o Pé-de-Meia, que incentiva financeiramente a permanência e conclusão escolar no ensino médio público, e o Bolsa Família, que beneficia famílias em situação de pobreza e extrema pobreza.

O relatório destaca ainda a diferença de gênero na conclusão do ensino médio no Brasil, onde as mulheres têm 7 pontos percentuais a mais de probabilidade de finalizar esta etapa educacional em relação aos homens. Essa diferença é maior do que a encontrada na maioria dos países analisados. A OCDE também informa que, no Brasil, 20% dos estudantes que ingressam no ensino médio abandonam a escola antes de se formarem. Dos alunos que concluem, 79% o fazem até dois anos além do tempo regular, enquanto a média internacional é de 85%. Após o período adicional, apenas 1% segue matriculado em busca da conclusão escolar.

Com relação aos adultos de diferentes gerações (25 a 64 anos) que possuem ensino médio completo, a proporção no Brasil atingiu 40% em 2024, semelhante à média de 39% dos países da OCDE. No entanto, entre os adultos em idade ativa (25 a 64 anos), apenas 22% dos brasileiros têm ensino superior completo, pouco mais da metade da média de 43% observada nos países da organização. Para Ricardo Henriques, essa distância resulta de um histórico passivo educacional. “Superar essas consequências exige ações integradas em diferentes frentes, fortalecendo o ensino médio e ampliando o ingresso no ensino superior, com oferta de cursos mais flexíveis, apoio financeiro e articulação entre formação técnica e acadêmica”, afirma.

Ele também salienta que a chegada ao ensino superior deve ser acompanhada por políticas de qualidade e permanência para quem enfrenta dificuldades. “A expansão do acesso [ao ensino superior] precisa vir acompanhada de qualidade e de políticas de permanência, especialmente para quem enfrenta dificuldades para conciliar estudo, trabalho e responsabilidades familiares”, explica Henriques. Ele argumenta que limitar o acesso à formação perpetua desigualdades, restringe oportunidades de mobilidade social, e impede o desenvolvimento do Brasil, tanto em termos de inovação quanto de produtividade. “Podemos transformar mais escolaridade em melhores oportunidades para as pessoas e maior capacidade de desenvolvimento para o Brasil”, completa.

O relatório enfatiza a importância das transições entre níveis de ensino como portas determinantes para o sucesso educacional. Um dado preocupante é que 8% dos estudantes brasileiros deixam o sistema formal de ensino após concluir os anos finais do ensino fundamental, percentual maior que os 5% registrados entre os 22 países analisados. Entre os que seguem para o ensino médio, 4% repetem o último ano do fundamental.

Para a OCDE, gestões escolares no Brasil devem implementar monitoramento rigoroso da frequência e do desempenho dos estudantes, além de promover apoio pedagógico individualizado. De acordo com Henriques, prevenir o abandono escolar requer medidas como foco no aprendizado de leitura e matemática, diálogo com as famílias e planejamento estruturado para acolher os alunos na nova etapa educacional. Ele também destaca o Identificador Nacional Único do Estudante (Inue), criado em março de 2024, que permite o acompanhamento das trajetórias estudantis por meio do CPF dos alunos. “A grande questão é como apoiar os professores e gestores para que possam fazer uso desses dados de modo a fazer um melhor diagnóstico das necessidades de cada estudante, atuando para que todos consigam progredir em sua aprendizagem”, pontua.

Os dados que subsidiaram o Panorama da Educação 2026 foram obtidos de fontes como o Censo Escolar da Educação Básica, o Censo da Educação Superior, o IBGE e os levantamentos da Capes sobre pós-graduação. Informações completas sobre o relatório estão disponíveis no site da OCDE.

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