Os bancários da Caixa Econômica Federal recusaram mais uma vez a proposta do banco estatal, e a greve nacional da categoria, iniciada em 10 de setembro, prossegue. Em assembleia realizada nesta segunda-feira (21), 59,3% dos trabalhadores votaram contra a proposta apresentada. Na votação específica em Curitiba, o resultado foi de 52,61% contrários, 45,57% favoráveis e 1,82% de abstenções. O principal impasse na negociação está relacionado ao plano de saúde.
A última proposta da Caixa previa ampliar o teto de custeio do Saúde Caixa de 6,5% para 9% sobre a folha de pagamento a partir de 2027, mantendo o pacto intergeracional e o convênio no acordo coletivo de trabalho. Além disso, o banco eliminaria a cobrança diferenciada por faixa etária. Contudo, os termos foram considerados insuficientes pela categoria para resolver os problemas enfrentados no plano de saúde.
Na nova proposta, a Caixa garantiu que não haveria reajustes nas mensalidades em 2026 e assumiria o déficit do plano. A partir de 2027, a contribuição do titular passaria a ser de 3,7% da remuneração-base, enquanto dependentes diretos contribuiriam com R$ 560 e filhos de 21 a 24 anos, com R$ 660. Para filhos de 24 a 27 anos e dependentes pais ou mães remanescentes, o valor seria de R$ 900. A cobrança por consulta em pronto atendimento foi ajustada de R$ 150 para R$ 120, e a isenção de coparticipação para atendimentos via telemedicina seria mantida. Mesmo assim, a proposta não foi suficiente para encerrar a paralisação.
Os bancários em greve expuseram suas insatisfações sobre a proposta. Segundo trabalhadores ouvidos sob anonimato, as mudanças no plano de saúde impactariam diretamente o orçamento dos empregados, praticamente anulando o ganho com reajuste salarial já conquistado. Além disso, médicos continuam se descredenciando devido às dificuldades do plano. Já bancários de outras instituições, como os bancos privados e o Banco do Brasil, encerraram suas greves e garantiram reajuste pelos índices da inflação (INPC) mais 0,6%, conforme definido em suas respectivas convenções coletivas.
Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, destacou os avanços obtidos com a mobilização dos trabalhadores. “A mobilização mostrou que era necessário colocar mais recursos da empresa no Saúde Caixa e preservar um princípio fundamental do nosso plano, que é o pacto intergeracional. E só conquistamos isso em mesa de negociações graças à mobilização dos trabalhadores.”
Enquanto a greve persiste, clientes enfrentam dificuldades no atendimento presencial em diversas agências do país, que permanecem fechadas com cartazes informando sobre a paralisação. A Caixa orienta os usuários a utilizarem canais digitais, como o internet banking, o aplicativo Caixa, o WhatsApp (0800-1040104) e aplicativos específicos como o Caixa Tem, Cartões CAIXA, Habitação CAIXA, DPVAT e FGTS. O Alô CAIXA atende pelo número 4004 0104 (capitais) ou 0800 104 0104 (demais localidades). Rede Banco24Horas e caixas eletrônicos seguem em funcionamento.
Em nota, a estatal reafirmou manter o diálogo aberto com representantes dos empregados para avançar nas negociações. O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região informou que o comando de greve discutirá os próximos passos para a mobilização nos próximos dias.







