Produtores ligados à Frivatti Industrial, à Pluma Agroavícola e à Primato Cooperativa Agroindustrial terão acesso a R$ 460 milhões para ampliar e modernizar suas atividades. Os recursos serão disponibilizados por meio de três novos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios do Agronegócio (FIDC Agro Paraná), uma alternativa de financiamento criada pelo Governo do Paraná para ampliar o acesso ao crédito no campo.
Os fundos fazem parte da segunda etapa do programa e foram selecionados em edital lançado pela Fomento Paraná em 2025. Dos R$ 460 milhões previstos, R$ 90 milhões serão aportados pela própria Fomento Paraná, como cotista sênior. O restante será formado com recursos de parceiros privados.
Na prática, o modelo busca oferecer ao produtor uma fonte de financiamento de longo prazo com juros competitivos para investimentos que nem sempre conseguem ser atendidos pelas linhas tradicionais de crédito rural. Entre as possibilidades estão a construção e ampliação de aviários e granjas, aquisição de máquinas e equipamentos, implantação de sistemas de irrigação, estruturas de armazenagem e modernização de agroindústrias.
O produtor não acessa diretamente o FIDC. Os projetos são apresentados por meio da cooperativa ou agroindústria à qual está vinculado, que estrutura as propostas e faz a ligação com o fundo. A Fomento Paraná atua na estruturação financeira e na atração dos investidores.
Segundo o Governo do Estado, o mecanismo funciona como uma alternativa complementar ao Plano Safra e permite ampliar os investimentos no setor sem depender exclusivamente dos recursos federais.
Crédito para ampliar a produção
Um dos exemplos é a Primato, que utilizará os recursos para apoiar a expansão da produção de frangos e suínos de seus cooperados. De acordo com o presidente da cooperativa, Anderson Léo Sabadin, a principal vantagem para o produtor é o custo do financiamento.
A linha deverá trabalhar com juros próximos de 9% ao ano, prazo de até dez anos para pagamento e dois anos de carência, segundo a cooperativa. “É um recurso que chega em um momento importante e permite ampliar a produção com segurança”, afirmou Sabadin.
A proposta do FIDC é justamente financiar investimentos produtivos de maior prazo, permitindo que o produtor faça obras, compre equipamentos ou amplie sua estrutura e tenha mais tempo para começar a pagar o financiamento.
Estado entra como investidor
A participação da Fomento Paraná ocorre como cotista sênior dos fundos, com uma parcela que varia de 14% a 20% em cada operação. Cooperativas, agroindústrias e investidores qualificados completam a composição financeira necessária para cada FIDC.
Para o diretor-presidente da Fomento Paraná, Claudio Stabile, o modelo amplia as alternativas de crédito disponíveis aos produtores e pode gerar uma nova rodada de investimentos no setor.
Somando as duas etapas do programa, a expectativa do Estado é superar R$ 3 bilhões em investimentos no agronegócio paranaense. Além dos três fundos já apresentados, outros sete projetos estão em análise técnica pela Fomento Paraná. Juntos, eles poderão receber R$ 295 milhões em aportes da instituição e mobilizar aproximadamente R$ 1,475 bilhão em investimentos.
Primeiros fundos já liberaram R$ 737 milhões
A primeira etapa do FIDC Agro Paraná foi estruturada em parceria com C.Vale, Seara e Marfrig/BRF. Os três fundos somaram R$ 1,05 bilhão em investimentos, direcionados principalmente à expansão da produção de aves, suínos e peixes e ao aumento da capacidade de processamento da indústria de carnes.
Pouco mais de um ano após o lançamento do programa, os fundos já aprovaram 155 operações de financiamento. Cerca de R$ 737 milhões foram contratados e liberados para obras, implantação de estruturas produtivas e aquisição de máquinas e equipamentos.
Os três fundos da primeira etapa possuem, atualmente, patrimônio superior a R$ 1,1 bilhão.
O que pode ser financiado?
O FIDC Agro Paraná é voltado exclusivamente a investimentos no agronegócio. O dinheiro não pode ser utilizado para despesas de custeio da safra ou para a compra de terras.
A proposta é concentrar os recursos em projetos que aumentem a capacidade produtiva e a infraestrutura do campo, como:
- construção e ampliação de aviários e granjas;
- compra de máquinas e equipamentos;
- implantação de sistemas de irrigação;
- construção de estruturas de armazenagem;
- modernização de agroindústrias;
- ampliação da capacidade de produção e processamento.
O governador Carlos Massa Ratinho Junior afirmou que a intenção é utilizar o mecanismo para estimular a expansão da produção e, principalmente, aumentar o processamento dentro do próprio Paraná. “São três novos fundos de investimento, quase meio bilhão de reais para novos aviários, granjas, indústrias e para industrializar a produção feita pelos agricultores”, afirmou.
Para o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Natalino Avance de Souza, o modelo também busca atender uma característica importante do campo paranaense: a predominância de pequenas propriedades. A ampliação das alternativas de crédito, segundo ele, pode ajudar esses produtores a investir em estrutura, produtividade e modernização.
Com os novos fundos, o Paraná amplia uma modalidade de financiamento que pretende aproximar recursos privados dos investimentos necessários para modernizar a produção rural e aumentar a capacidade de processamento do agronegócio dentro do Estado.








