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Endividamento das famílias no Paraná atinge 87,2% em junho, com alta na inadimplência e destaque para cartão de crédito

No Paraná, 87,2% das famílias tinham algum tipo de dívida em junho. Essas dívidas incluem despesas como cartão de crédito, carnês de lojas, empréstimos pessoais, financiamentos de veículos e imóveis, além de cheques pré-datados. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) em parceria com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR).

O percentual de famílias endividadas permaneceu praticamente estável em relação a maio, quando era de 87,1%, mas é maior do que os 84,7% registrados em junho do ano passado. Apesar de o endividamento no estado estar acima da média nacional de 81,6%, o Paraná ocupa a nona posição no ranking entre os estados, ficando atrás de Rio de Janeiro e Ceará, que apresentam os maiores índices de endividamento.

A inadimplência, por outro lado, voltou a crescer. Em junho, 16,7% das famílias paranaenses tinham contas em atraso, um aumento em relação aos 15,2% registrados em maio e aos 11,7% observados no mesmo período de 2022. Apesar disso, o Paraná segue entre os estados com menor inadimplência do país, ocupando a segunda melhor posição no ranking nacional, atrás apenas de Mato Grosso, enquanto a média nacional de inadimplência chegou a 29,9%.

Também houve aumento entre as famílias que afirmam não ter condições de pagar suas dívidas. Esse percentual passou de 3,8% em maio para 4,3% em junho, acima dos 2,1% registrados no comparativo anual. O comprometimento médio da renda com dívidas permaneceu praticamente estável, representando 32,6% da renda familiar.

Entre as famílias que recebem até dez salários mínimos, o percentual de endividados passou de 87,8% em maio para 88,0% em junho. Já entre aquelas com rendimento superior a dez salários mínimos, houve uma leve redução, de 83,9% para 83,3%.

O cartão de crédito segue como a principal forma de endividamento, presente em 91,5% dos casos. Em seguida, aparecem os financiamentos de veículos, com 8,5%. Pela primeira vez em quase 13 anos de acompanhamento da pesquisa, os carnês assumiram a terceira posição no perfil de endividamento, representando 6,7% das dívidas, superando o financiamento imobiliário, que ficou em 6,6%.

Entre as famílias de menor renda, os carnês têm maior representatividade, correspondendo a 7,3% das dívidas, um percentual 2,2 pontos acima do financiamento imobiliário, que respondeu por 5,1% no grupo. O resultado reflete o aumento das compras parceladas no comércio, enquanto o financiamento imobiliário perde relevância num cenário de juros elevados e restrição do crédito.

Por outro lado, entre as famílias que recebem mais de dez salários mínimos, o financiamento imobiliário segue em expansão, alcançando 13,6% das dívidas em junho, superando o financiamento de veículos, que registrou 10%. Nesse grupo, os carnês ainda têm pouca relevância e representam apenas 4,3% das dívidas, mesmo percentual observado para o crédito pessoal.

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