Algumas histórias começam com um olhar. Outras, com uma música lenta. Em Campina Grande do Sul, muitas começaram sob luzes coloridas, passos sincronizados e o som que embalou gerações no lendário Tio Sam, casa noturna que marcou época nos anos 1980 e 1990. O Tio Sam, mais que um cenário de festas, foi palco de encontros que atravessaram décadas — e viraram casamento, família e amizade para a vida toda.
Esta reportagem integra a série especial “Tio Sam: Memórias de uma Era”, lançada em 2025 e que agora chega a 2026 com novas histórias, resgatando lembranças, personagens e afetos que ajudaram a construir a identidade social e cultural da cidade. Nesta reportagem, o foco está nos casais que se conheceram na pista de dança e seguem juntos até hoje, provando que algumas noites nunca terminam.
Da dança lenta ao casamento
Entre as histórias que atravessaram o tempo está a do casal Fátima Domingos (56) e Osvaldo Domingos (57), que resume o espírito do Tio Sam em poucas palavras: alegria, amizade, música boa e dança. Frequentadores assíduos da casa, eles lembram que o salão era ponto de encontro de toda uma geração. “Era o lugar onde todo mundo se encontrava. O ambiente era leve, tinha diversão, tinha amizade”, recordam.
Ela brinca que era sempre a primeira a entrar e a última a sair, “varrendo o salão” com o grupo de amigos. Foi ali, entre bailões, discoteca e músicas lentas, que conheceu o companheiro. “A gente dançou uma lenta, depois veio o beijo… e do beijo foi o casamento”, conta, aos risos. Hoje, são 35 anos de casamento e quase quatro décadas de história em comum. “O culpado é o Tio Sam”, dizem, sem hesitar.
Entre os eventos inesquecíveis, o Baile do Horror aparece como unanimidade. Com túnel do terror, motosserras cenográficas e sustos memoráveis, a festa ficou marcada na memória coletiva. Também houve concursos de dança, troféus, grupos que ensaiavam durante a semana para brilhar no fim de semana — como o trio White Spreck, conhecido na época pelas coreografias e apresentações.
Um amor que resistiu ao tempo
A segunda história envolve Ronaldo Ismael Pinheiro e Eliane Conceição Pinheiro, hoje com 58 e 56 anos, respectivamente. O encontro começou timidamente, em meio à juventude, às restrições da família e aos primeiros passos na vida adulta. O Tio Sam foi o espaço onde tudo se desenrolou.
“Era uma união muito bonita. Todo mundo dançava junto, no mesmo passinho, no mesmo ritmo”, lembra Eliane. O salão cheio, os movimentos sincronizados e a sensação de pertencimento transformavam cada noite em algo especial. “Se você olhasse de cima, era o salão inteiro indo para a direita, para a esquerda, todo mundo igual.”
O namoro teve idas e vindas, uma pausa imposta pela idade e pelas circunstâncias da época, mas o reencontro veio — e ficou. Hoje, são 37 anos de casamento, filhos, netos e uma vida construída a partir daquele primeiro convite para dançar.
Eles também recordam detalhes que hoje parecem distantes: o momento da música lenta, quando as meninas se encostavam na parede e os rapazes atravessavam o salão escolhendo com quem dançar; as conversas no orelhão, aos domingos; os encontros simples, como uma ida ao cinema de ônibus, com direito a balão em forma de coração.
Mais do que uma casa, uma família
O que une todas essas histórias não é apenas o romance, mas o sentimento de comunidade. Para muitos, o Tio Sam foi uma extensão da própria casa. Ali nasceram amizades que atravessaram décadas, resistiram às mudanças da vida e seguem vivas até hoje.
“Não era só festa. Era família”, resume Ronaldo. “A gente cresceu junto, trabalhou junto, dançou junto. Até hoje a gente se encontra, conversa, se ajuda. O Tio Sam deixou isso pra gente”, conclui o casal.
Talvez por isso o nome ainda desperte emoção. Porque algumas pistas de dança não fecham — permanecem abertas na memória, nos afetos e nas histórias que continuam sendo contadas.
E assim, em 2026, a série “Tio Sam: Memórias de uma Era” segue revelando que, em Campina Grande do Sul, o amor também aprendeu a dançar.
Você viveu os tempos de ouro do Tio Sam?
O União Metropolitana Metropolitana convida você que dançou, amou, riu, chorou (ou até levou um tombo no passinho!) a compartilhar suas histórias. Vale tudo: fotos, lembranças de concursos, amizades que surgiram na casa, aquele hit que marcou uma noite ou qualquer momento inesquecível que o Tio Sam deixou na sua vida.
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Porque o Tio Sam não foi só um lugar — foi uma fase da vida. E cada memória merece ser contada!







