A volta às aulas marca um período de transição importante para as famílias. Novos ambientes, rotinas diferentes e a separação temporária dos cuidadores fazem parte do processo de adaptação escolar, essencial para o desenvolvimento emocional e social das crianças. A educadora parental Carol Binhame ressalta que o elemento central não é se a criança vai se adaptar, mas a que custo essa adaptação ocorre.
“Somos seres humanos naturalmente adaptáveis. A adaptação escolar vai acontecer. A grande questão é como ela acontece. Nós não queremos que essa adaptação custe a autoestima da criança, nem a confiança nos seus cuidadores, tampouco provoque níveis elevados de estresse que façam com que ela se sinta abandonada ou insegura”, explica Carol. Segundo ela, quando o processo é conduzido com respeito, vínculo e previsibilidade, a adaptação tende a ser mais leve e saudável para todos os envolvidos.
Cada criança vive esse momento de maneira única, respeitando seu tempo, sua história e seu nível de segurança emocional. Nesse contexto, a família desempenha um papel essencial. “Preparar a criança com antecedência, conversando sobre a escola, a professora, os colegas e a rotina, ajuda a criar previsibilidade e confiança. Demonstrar segurança, mesmo quando existem inseguranças internas, transmite à criança a mensagem de que aquele ambiente é seguro e confiável”, afirma a educadora parental.
Carol destaca que a adaptação não é um desafio exclusivo das crianças, mas também de seus familiares. “Se a família está insegura, ansiosa ou desconfiada da escola e dos cuidadores, a criança sente. A criança se regula emocionalmente a partir dos adultos que cuidam dela. Por isso, é fundamental que os responsáveis também cuidem das próprias emoções, fortaleçam a confiança na instituição e construam uma relação de parceria com a escola.”
Em casa, pequenas ações podem fazer diferença. Além de ajustar progressivamente os horários de sono e alimentação antes do início das aulas e manter uma rotina previsível, é essencial criar momentos de escuta e acolhimento emocional. “Essas atitudes fortalecem o vínculo e ajudam a criança a se sentir segura. Brincar de escolinha, ler livros sobre o tema e permitir que a criança expresse sentimentos são estratégias simples, mas muito potentes”, orienta.
O choro, muitas vezes temido pelos adultos, é uma forma legítima de comunicação. Ele pode sinalizar saudade, insegurança ou dificuldade diante do novo. “Em muitos casos, o choro é esperado nos primeiros dias e tende a diminuir conforme a criança cria vínculos e se sente pertencente ao ambiente escolar. O mais importante é que a criança perceba a segurança do adulto e do ambiente, pois isso ajuda a reduzir esse sofrimento”, explica Carol.
A educadora enfatiza a necessidade de observar a intensidade e a duração do choro. “Quando ele é pontual, acontece no momento da separação e a criança se acalma ao longo do dia, geralmente faz parte do processo de adaptação. Mas se o sofrimento é intenso, persistente e interfere no bem-estar da criança, é fundamental que família e escola conversem e pensem juntas em estratégias de cuidado”, afirma. Ela também reforça a importância de oferecer suporte emocional aos pais, aliviando sentimentos de culpa com informações e acolhimento.
“A adaptação escolar não é uma corrida, é um caminho. Um caminho que se constrói com paciência, empatia e parceria entre família e escola”, conclui Carol Binhame. Segundo ela, quando a criança se sente acolhida, respeitada e segura, a adaptação deixa de ser um momento de ruptura e se torna uma experiência de crescimento, aprendizagem e fortalecimento emocional.







