Em apenas nove dias, o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) registrou quatro casos de nuvem funil em diferentes regiões do Estado. Esse fenômeno, que deve seu nome à aparência de funil formado na base de uma nuvem Cumulonimbus ou Cumulus, é causado por uma coluna de ar em rotação e representa o estágio inicial da formação de um tornado – sendo caracterizado como tal apenas se tocar o solo com ventos fortes.
O primeiro caso de 2026 ocorreu no dia 9 de janeiro, por volta das 13h, na cidade de Ponta Grossa. No dia 11, durante a tarde, foi registrado o segundo caso em Paulo Frontin, próximo à divisa com Santa Catarina. O terceiro episódio aconteceu no dia 15, por volta das 16h, em São Jorge do Ivaí, município próximo a Maringá. O evento mais recente foi observado na tarde do último sábado (17), em Arapongas.
De acordo com especialistas, esse tipo de fenômeno é mais comum durante a primavera e o verão, estações marcadas pela instabilidade atmosférica e pela formação de tempestades. Muitas dessas nuvens sequer são filmadas ou catalogadas, principalmente quando ocorrem em áreas pouco habitadas. “Nesta época do ano nós temos os ingredientes básicos para a formação de tempestades severas, que são a umidade do ar, calor e, às vezes, alguma forçante meteorológica, como frente fria, ciclone extratropical ou uma grande área de convergência”, explica Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar.
Ele acrescenta que, embora esses sistemas meteorológicos não atuem diretamente sobre o Paraná, acabam intensificando as tempestades. “Associado ao calor e à umidade, esses eventos meteorológicos mais severos acabam se formando com maior frequência.” Além disso, o levantamento forçado do ar nas serras e montanhas durante o verão também contribui para esse tipo de ocorrência, potencializando o desenvolvimento de supercélulas, que são tempestades de grande intensidade vertical, podendo ultrapassar 15 km de altura.
Dentro dessas formações, o cisalhamento do vento – variação em direção e intensidade entre camadas da atmosfera – acelera o processo de evolução das tempestades. “Elas podem evoluir para a formação de mesociclones, que são ventos girando dentro da nuvem, aproximadamente entre dois e 10 km, dependendo da severidade do sistema”, detalha Reinaldo.
O meteorologista esclarece que supercélulas podem gerar rajadas de vento fortes, grande quantidade de raios e chuvas intensas em curtos períodos de tempo. “A rotação do vento dentro das supercélulas pode favorecer a formação da nuvem funil, que é aquele núcleo de condensação em formato de funil, resultante de uma rápida queda de pressão atmosférica”, afirma. Segundo ele, a nuvem funil não representa risco para populações em terra, mas pode ser perigosa para a aviação. “Se tocasse o solo, evoluiria para um tornado; sobre a água, seria uma tromba d’água.”
Apesar de não ser perigoso em si, o fenômeno pode preceder a formação de um tornado, e a orientação para quem avistar o evento é buscar proteção em locais estruturados, preferencialmente de alvenaria. Em caso de emergência, o banheiro de uma residência oferece maior segurança devido ao reforço estrutural proporcionado pelo encanamento das paredes.
O Simepar realiza o monitoramento e a previsão de tempestades severas no Paraná, enquanto a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil é responsável por emitir alertas à população. Para receber os alertas, basta enviar um SMS com o CEP da residência para o número 40199.







